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Reforço da agricultura familiar carece de brigadas independentes de máquinas

A estratégiado Governo de reforçar a agricultura familiar poderá alcançar melhores resultados caso sejam criadas brigadas independentes de máquinas para apoiar os pequeno e médios agricultores, afirmou o fazendeiro Bernardo Francisco, que já está a exportar farinha de milho do Huambo para a Repúbli Democrática do Congo (RDC)

Paulo Sérgio por Paulo Sérgio
1 de Janeiro, 2025
Em Destaque, Sociedade

O jovem fazendeiro, que decidiu aplicar os seus parcos recursos numa parcela de terra de 448 hectares, explicou que a criação de tais brigadas visa dar respostas a algumas dificuldades que muitas famílias camponesas atravessam no exercício das suas actividades, pelo facto de as cooperativas nem sempre conseguirem dar respostas às suas necessidades, bem como as expectativas das autoridades governamentais.

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“Por conta de alguns erros que as cooperativas vão cometendo, penso que o Governo deve reforçar a agricultura familiar, criando uma brigada independente de máquinas onde pequenos e médios agricultores ou aqueles que não possuem equipamentos ou materiais agrícolas possam solicitar os seus serviços”, justificou, salientando que, como este sector é a base para o desenvolvimento, urge também a necessidade de se capacitar os agricultores.

A reabilitação das vias de acesso aos campos agrícolas é outro dos grandes entraves que, em seu entender, o Governo precisa de solucionar, tendo em conta que muitos produtos estragam nas fazendas devido ao seu acesso difícil.

Para se ultrapassar essas barreiras, Bernardo Francisco considera primordial que o novo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, trabalhe em parceria com os governos provinciais, nomeadamente as administrações municipais, comunais, os agricultores e fazendeiros, para encontrarem as melhores soluções a fim de alavancarem o sector.

“Como o mais importante é resolver os problemas do povo, juntos vamos trabalhar para erradicar a fome e a pobreza de uma vez por todas”, sublinhou.

Exportação de produtos para a RDC

Para demonstrar o quanto a aposta neste sector é rentável, o nosso interlocutor conta que o nível de produção da sua fazenda é de aproximadamente 100 toneladas ao ano, sendo que uma boa parte tem sido exportada para a vizinha República Democrática do Congo (RDC).

Dos 448 hectares que constituem a sua fazenda, 200 são explorados para a produção de cereais e 40 para produção de citrinos e poderão aumentar a produção, explorando os outros 208 hectares neste ano agrícola. “O produto que mais exportamos é a fuba de milho.

Agora que já têm confiança na nossa marca, antes mesmo de lançarmos as sementes à terra, já temos novas solicitações por parte dos nossos clientes congoleses”, frisou.

No entanto, para garantir que os produtos chegam à mesa dos seus clientes em Kinshasa com elevada qualidade, Bernardo Francisco teve de adoptar algumas regras de segurança, incluindo para com os camiões que as transportam.

Deste modo, durante os sete dias, em média, que os produtos levam para sair do Huambo à capital congolesa, permanecem selados até ao seu destino final, evitando roubo e adulteração.

“Até ao momento, já exportamos cerca de 40 toneladas de fuba de milho”, frisou, salientando que, a nível interno, os seus produtos são escoados para o mercado da Alemanha, no Huambo, e o mercado do 30, em Icolo e Bengo.

Atendendo à demanda, neste momento Bernardo e os seus 18 colaboradores directos, trabalham para aumentar a produção, esperançosos de que receberão ajuda do governo com relação à aquisição de fertilizantes e anti-pragas.

Para manter a fazenda em pleno funcionamento, o jovem diz que já investiu mais de 40 milhões de kwanzas no sector da pecuária, 27 milhões de kwanzas no sector da agricultura, 19 milhões de kwanzas na aquisição de lotes de terra e 9 milhões de kwanzas em meio de transporte.

“De momento, não possuímos especialistas, quando necessário é que recorremos a um para realizar trabalhos em um curto período de tempo”, salientou.

Executivo acelera a Agricultura Familiar com programa Osi Yetu

Para acelerar a agricultura familiar e reforçar a segurança alimentar, o Executivo, por intermédio do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) e Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) está a implementar um programa denominado Osi Yet.

O mesmo foi criado com o propósito de enfrentar os desafios de fomento, aceleração e diversificação da produção agropecuária.

Segundo apurou o jornal OPAÍS, este programa é coordenado pelo Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF) e pelo Ministério das Finanças (MINFIN), enquanto a oper cargo do FADA, do IDA, Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) e dos Govern “Visa, ainda, promover práticas agrícolas sustentáveis, melhorar os níveis de segurança alimentar e nutricional e alcançar a autossuficiência alimentar.

execução do programa está prevista para o período de 2024-2026, em resposta aos desafios sociais e económicos do contexto actual do país”, descreve o FADA no seu site.

As autoridades esclarecem que o Osi Yetu incide principalmente sobre as Explorações Agrícolas Familiares (EAF), caracterizadas pelo uso intensivo e/ou extensivo de mão-de-obra familiar em pequenas parcelas de terra, sendo fundamental para o desenvolvimento dos sistemas agrícolas e pecuários.

Além de acelerar a produção e a produtividade agropecuária, as autoridades acreditam que, com a sua implementação, vão também ter uma produção de produtos florestais familiares orientados para o mercado.

De acordo com o FADA, este programa vai permitir que se reforcem os níveis de capacitação técnica e massificar o financiamento ao subsector da agricultura familiar, de forma descentralizad simples e desburocratizada.

Com a implementação deste programa, que tem como público-alvo as explorações agrícolas familiares organizadas em cooperativas, em todo o território nacional, as autoridades preveem aumentar o número de empregos, elevar o rendimento das famílias e promover o crescimento económico.

“Melhorar os níveis de segurança alimentar e nutricional, alcançando a auto-suficiência em produtos alimentares estratégicos, mitigando situações de vulnerabilidade económica e social”, diz o FADA.

Acrescenta de seguida que o mesmo dispõe de um “fundo de maneio para cobertura dos encargos operacionais da campanha (incluindo custos com o pessoal)”.

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