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Bombeiros recolheram só este ano 20 bebês deitados no lixo em Luanda

As autoridades angolanas estão preocupadas com o crescente número de bebês deitados no lixo pelas próprias “mães”. Só na província de Luanda, foram recolhidos 20 fetos no presente ano, de acordo com dados do Serviço de protecção Civil e bombeiros. a realidade é extensiva ao resto do país

Jornal Opais por Jornal Opais
6 de Dezembro, 2024
Em Destaque, Sociedade

Os números são altos e transcendem a província de Luanda. Os Bombeiros a nível central prometeram avançar a este jornal o quadro real, das outras províncias, nos próximos dias. Mas na capital do país, de acordo com a porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Maina Panzo, foram recolhidos 20 fetos, só no presente ano, números que, segundo disse, podem ser maiores, por falta da cultura de denúncia da parte dos vizinhos.

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A porta-voz disse ainda que muitos fetos são levados em sacos, de um município para o outro, o que dificulta ter estatísticas fiáveis. Entretanto, o município de Kilamba Kiaxi lidera o número de casos, seguido de Viana e Cazenga, segundo Maina Panzo. Todos os fetos foram encontrados sem vida.

Rosa Paulina, moradora do município de Cazenga, contou que, recentemente, meninos que pro- curavam peças em contentores para a pesagem encontraram um bebé de sexo fenómeno, já morto.

Segundo a nossa interlocutora, no Cazenga são vários os casos de crianças deitadas no lixo. Rosa não considera de mãe as mulheres que, depois de suportarem nove meses de gravidez, jogam-no no lixo. “Não são mães”, disse, considerando que muitos casais gastam dinheiro, fazem viagem fora do país à procura de um filho, quando algumas acabam deitando no lixo.

A realidade de Luanda não é isolada, por exemplo, no ano passado, na província de Moxico, uma criança foi baptizada com o nome de “Milagre”, depois de ter sido encontrada com vida, 18 dias depois de ser deitada numa latrina pela mãe.

Lei classifica crime de homicídio voluntário

De acordo com o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Luanda, Emanuel Capita, em declarações ao OPAÍS, quando a mãe comete este acto deve ser encaminhada de imediato ao Ministério Público, para a devida penalização. Para casos do género, segundo disse, são classificados como homicídio qualificado. Nos termos da lei, o crime de homicídio qualificado é punível abstractamente com pena de 12 a 30 anos de prisão maior.

Entretanto, a falta de denúncia da própria vizinhança, segundo lamenta a cidadã Paula Fernando, vai admitindo o aumento de casos. “Se uma vizinha esteve grávida e depois não for vista a ter o bebé, há aqui motivo bastante de suspeita”, disse Paula Fernando, que defende a cultura da denúncia.

Socióloga aponta distúrbio mental e desestruturação familiar

A socióloga Josefa Almeida, em declaração ao jornal OPAÍS, descartou o facto de a fuga à paternidade ser o principal motivo que leva as mães a deitarem os seus próprios filhos no lixo.

A especialista aponta como causas a desestruturação familiar e casos de distúrbios mentais, que devem ser estudados. para a socióloga, a família e a escola são os núcleos fundamentais e, quando estas falham, a sociedade colapsa também.

“Em muitos casos, são problemas psicológicos, pobreza extrema, sem acolhimento da família, etc.”, sustenta. na visão da socióloga Josefa Almeida, a fuga à paternidade pode ser uma das causas, mas quem a faz, na sua visão, não teve educação de berço.

mas acrescenta não ser motivo bastante para deitar um filho, porque existe a família, em primeira instância, e o estado. importa frisar que dados do instituto nacional da Criança (INAC) indicam para seis mil e 699 casos de fuga à paternidade foram registados, só no primeiro semestre deste ano.

POR:José Zangui

Jornal Opais

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