O sector desportivo angolano tem enfrentado uma realidade alarmante marcada por casos de abuso sexual, psicológico e físico, em que o silêncio das vítimas e a negligência institucional têm permitido o agravamento da violência, transformando recintos de formação em cenários de trauma para centenas de crianças e jovens atletas
A vulnerabilidade de menores no desporto tem sido agravada pela dependência directa em relação a treinadores e dirigentes, que utilizam a autoridade e a promessa de carreiras de sucesso como moedas de troca e ferramentas de coação. Este fenómeno, muitas vezes abafado pelos clubes para proteger a “imagem da instituição”, tem impedido que a justiça alcance os agressores que operam na sombra das academias e clubes.
Neste contexto de denúncias crescentes, o Instituto Nacional da Criança (INAC) revelou que registou 115 casos de violência no desporto infantil apenas no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o director-geral da instituição, Paulo Calessi, as ocorrências foram reportadas através da linha 15015, um mecanismo estratégico criado para que as vitimas e a sociedade civil possam denunciar casos de violência contra a criança de forma segura.
Os dados indicam que uma parte considerável dos registos envolve violência física,psicológica e sexual, ocorrida durante as actividades desportivas, em particular nas sessões de treinos. Adicionalmente, o director-geral do INAC destacou o aumento abismal do número de denúncias relacionadas com o assédio sexual, sendo que muitas destas participações são feitas pelas próprias crianças.
POR: Mário Silva e Kiameso Pedro
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