Depois de, na madrugada de Domingo, 23, uma parte das bancadas do estádio, no município do Rangel, em Luanda, ter desabado, a equipa de reportagem do jornal deslocou-se ao local e constatou o perigo iminente na voz dos trabalhadores de empresas que funcionam no recinto inaugurado em 1972. Entretanto, o Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), que de tém a gestão do recinto, mantém-se em silêncio
Medo! É o sentimento que os trabalhadores de empresas que funcionam no Estádio Nacional da Cidadela vivem no dia-a-dia. Os homens que labutam no estádio, que apresenta fissuras nos pilares, nas estruturas de betão e nos pilares de sustentação, são os que mais temem pela vida, por que conhecem a gravidade do perigo.
O desabafo na primeira pessoa veio do motorista, Miguel Evaristo, de 41 anos, de uma empresa instalada num dos comparti mentos do estádio, ou seja, a em presa está bem ao lado da placa que caiu. Miguel Evaristo revelou que não dá vontade de trabalhar debaixo do perigo, porque é algo que qualquer pessoa sente muito mal.
“É perigo mesmo, porque, quando se diz que é perigo, não tem como. Lamentavelmente, esta mos aqui a trabalhar com o me do de um dia não regressar à casa”, teme pela vida o motorista.
Para Miguel Evaristo, os responsáveis do Estádio Nacional da Cidadela devem trabalhar para recuperar a infra-estrutura, tendo acrescentado que a solução não passa apenas em isolar o perímetro em que caiu uma parte das bancadas do recinto onde já desfilaram nomes sonantes do futebol angolano, Jesus, Joãozi nho Maradona (in memória), Daniel Cassoma Lutucuta, Vicy António, Daniel Ndunguidi, Akwá e Flávio Amado.
”O certo seria mesmo isolar todo o estádio e alojar todas as empresas que aqui funcionam num outro recinto. É algo possível de se fazer, acho que só vão tomar uma decisão quando o estádio desabar na totalidade e matar centenas de pessoas”, desabafou.
Miguel Evaristo deixou conselho à direcção da empresa onde labuta para trocar de local o mais rápido possível. Partilha do mesmo sentimento de medo, terror e angústia, o senhor Carlos Guimarães, de 52 anos, funcionário também de uma empresa que está sediada no Estádio Nacional da Cidadela.








