Em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, o presidente da Associação Provincial de Padel de Luanda (APPL), Lukeni Hendrick, disse que este desporto em Angola encontra-se numa fase de crescimento acelerado, mas enfrenta dificuldade no acesso ao material desportivo, devido à falta de produção nacional. Lukeni Hendrick revelou que a associação que dirige sobrevive de apoio dos clubes filiados, que muito têm feito para o desenvolvimento do padel, que surgiu no país em 2019
Que avaliação faz do estado actual do padel no país, em particular na capital angolana?
O padel em Angola encontrase numa fase de crescimento acelerado, sobretudo em Luanda. Nos últimos três anos, assistimos ao surgimento de novos clubes, à realização de torneios cada vez mais competitivos e a um interesse crescente por parte da sociedade. É ainda uma modalidade jovem no país, mas já com bases sólidas para se consolidar como uma das principais opções desportivas e de lazer.
Quantos clubes estão inscritos na Associação Provincial?
Actualmente, a Associação Provincial de Padel de Luanda (APPL) conta com cinco clubes filiados, todos activos e comprometidos com o desenvolvimento da modalidade. Quantos atletas estão catalogados? Temos cerca de trezentos atletas associados e catalogados pela APPL.
No entanto, em Luanda já são mais de 1.200 praticantes regulares, entre federados e não federados, que frequentam os diferentes clubes e escolas de padel. Há mais homens ou mulheres a praticar a modalidade? O número de homens ainda é superior, mas notamos um crescimento muito expressivo da participação feminina. Hoje, cerca de 35% dos praticantes são mulheres, e em cada torneio homologado temos cada vez mais inscrições femininas, o que muito nos orgulha.
O nível competitivo dos atletas agrada à direcção da Associação?
Muito. Temos atletas de excelente nível técnico que, em poucos anos de prática, já atingiram padrões competitivos comparáveis a outros países africanos. Angola já está preparada para participar em competições internacionais.
Como a Associação que dirige pensa em massificar o padel?
A estratégia passa por três eixos principais: 1.º Formação e escolas de padel – levar a modalidade às crianças e jovens, criando bases sólidas desde cedo; 2.º Torneios inclusivos – fomentar competições abertas a todos os níveis, desde iniciantes a avançados; e 3.º Parcerias institucionais e empresariais – garantir apoio financeiro e logístico para expandir os clubes e reduzir barreiras de acesso.
Quem deve praticar a modalidade, ou seja, com que idade a pessoa deve começar a jogar padel?
O padel pode ser praticado desde muito cedo, a partir dos seis anos de idade, quando a criança já tem coordenação motora suficiente. Mas também é um desporto inclusivo: pode ser praticado por pessoas de todas as idades, inclusive seniores, porque é uma modalidade de baixo impacto físico e grande componente social.
Quais são as dificuldades que a Associação tem enfrentado para desenvolver as actividades?
As maiores dificuldades passam por custos de construção de infraestruturas (campos, iluminação, manutenção). Acesso limitado a material desportivo, devido à falta de produção nacional. Escasso apoio institucional, embora reconheçamos a abertura crescente do Estado. Formação de treinadores e árbitros, um desafio que estamos a colmatar com formações e intercâmbios internacionais.
A Associação Provincial de Padel de Luanda tem sede social própria?
Ainda não. Neste momento, funcionamos em regime de apoio com os clubes filiados. Mas já estamos em conversações para garantir uma sede institucional própria, que sirva de referência administrativa e formativa para o padel provincial.
A aquisição de material desportivo para a prática do padel é um “Calcanhar de Aquiles” para os atletas? Sim, podemos considerar que sim. Todo o material – raquetes, bolas, equipamentos e mesmo a construção de campos – depende da importação. Isso torna os custos mais elevados e dificulta o acesso de muitos praticantes. No entanto, com o crescimento do mercado, já há marcas e parceiros internacionais a olhar para Angola como destino estratégico.
Tem recebido apoio do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD) para desenvolver a modalidade?
Ainda não de forma regular, mas temos tido abertura e diálogo. O Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), encabeçado por Rui Luís Falcão Pinto de Andrade, acompanha o nosso trabalho e reconhece a importância da massificação do padel. Esperamos em breve formalizar protocolos de apoio directo.
Há quem diga que o padel é um desporto de elite. Qual é a sua opinião?
É um preconceito comum, mas não é verdade. O padel é um desporto acessível, que pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente da sua condição social. A nossa missão é exactamente quebrar essa barreira, democratizando o acesso e criando oportunidades inclusivas.
No âmbito dos 50 anos da Independência Nacional, a assinalarse no 11 Novembro, a Associação tem alguma prova aprazada? Sim. Vamos organizar o Torneio Comemorativo dos 50 anos da Independência, em Luanda, como forma de homenagear esta data histórica. Além disso, temos em carteira projectos para o ciclo olímpico, incluindo a criação de uma selecção provincial e a organização de torneios internacionais em Angola.
Quanto a Associação gasta para realizar um torneio?
Um torneio homologado pela APPL tem custos que variam entre 10 milhões de Kwanzas a 30 milhões, dependendo da dimensão, local, logística e prémios. Como a Associação Provincial de Padel de Luanda sobrevive? A APPL sobrevive graças ao apoio dos clubes filiados, patrocinadores privados e parceiros institucionais. Sem estas parcerias, seria impossível garantir a sustentabilidade das nossas actividades.
A Associação pensa em realizar um torneio fora de Luanda?
Sim. Este é um dos nossos grandes objectivos a médio prazo. Queremos levar o padel a outras províncias, como Benguela, Huíla e Huambo, que já demonstraram interesse. A descentralização é essencial para a massificação nacional.