O reverendo padre Artur Pina apresentou, recentemente, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, a sua mais recente obra científica intitulada “Libertação e Superação da Violência na Lógica da Filosofia de Eric Weil”
Com a chancela da Mayamba Editora, o livro, o quinto volume do autor, conta com 222 páginas, distribuídas por três capítulos. O primeiro capítulo aborda a fenomenologia da violência, destacando a negação da moral concreta, a revolta do indivíduo contra o absoluto, entre outros aspectos.
O segundo ressalta a filosofia como assunção da vida racional e recusa da violência, com ênfase no diálogo e na discussão, além de sublinhar a universalidade axiológica do indivíduo como forma de rejeição da violência. Já o terceiro e último capítulo centra-se na educação humanista como via para a superação do instinto de violência no homem, destacando o papel do Estado ético e da filosofia social na educação pública.
A obra resulta da tese de doutoramento do autor, nascida de uma reflexão sobre a sistemática de Eric Weil, particularmente a partir da sua obra Logique de la philosophie, integrada no conjunto dos seus três grandes tratados: Logique de la philosophie, Philosophie politique e Philosophie morale.
Convidado a comentar a obra, o académico Isaac Pax, responsável pela apresentação da obra, defendeu que a educação deve ultrapassar a mera instrução técnica e assumir-se como um processo profundo de humanização, essencial para sociedades que procuram caminhos de paz após longos períodos de conflito.
Na sua intervenção, Isaac Pax fez ainda uma reflexão crítica sobre a violência colonial, afirmando que persiste na burocracia moderna, exemplificada pela histórica proibição do registo de nomes tradicionais. Essa desconexão com a “Kanda” (linhagem/ancestralidade) foi descrita como uma forma de violência simbólica que retira do indivíduo o seu “lugar de poiso”.
De acordo com o académico, a dificuldade de uma libertação plena desde 1975 está ligada à incapacidade de reconhecer e superar essas estruturas de violência cultural e simbólica que continuam a moldar o agir social.








