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Pedro Rosa: Grupos carnavalescos agastados com a morosidade na entrega dos valores

Bernardo Pires por Bernardo Pires
9 de Fevereiro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

A poucas horas do início do desfile competitivo do Carnaval de Luanda, a maior festa popular, coordenadores de diferentes grupos carnavalescos espalhados por Luanda trabalham incansavelmente na finalização dos últimos detalhes, visando surpreender os foliões e o corpo de jurado desta edição do Carnaval de Luanda, que decorre de 10 a 13, na Nova Marginal de Luanda

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A entrega tardia dos valores de subvenção aos grupos aptos para o desfile da presente edição está a dificultar o processo de preparativos, queixam-se os líderes.

Alguns grupos, dos mais de 30 inscritos para o Entrudo, alegam que a entrega tardia dos valores poderá fazer com que não estejam devidamente preparados e representados, uma vez que só começaram a receber os valores das subvenções esta semana, faltando menos de uma semana para o arranque do desfile.

Em declarações ao jornal OPAÍS, os responsáveis de alguns grupos carnavalescos adiantaram que a situação dos atrasos tem sido recorrente e de domínio da organização, mas que estes pouco ou nada têm feito para mudar o cenário.

Joaquim António “Quim”, responsável do grupo União Operário Kabocomeu, disse que os preparativos do colectivo que representa se encontram condicionados devido à demora dos valores de subvenção, adiantando que até ao momento o grupo ainda não conseguiu adquirir os equipamentos necessários para a montagem da alegoria por falta de verbas.

“O dinheiro quando chega tarde, as coisas complicam-se. Só começamos a receber os valores esta semana, e isso já está a nos dificultar porque os preparativos tinham que ser feitos já no mês passado e a esta altura só estaríamos já a nos preocupar com os ensaios”, expressou.

De acordo com aquele responsável, os atrasos na entrega das verbas não só dificultam os preparativos dos grupos, como reflecte falta de comprometimento e organização por parte da comissão organizadora, bem como um desrespeito aos actores do Carnaval, em especial os grupos.

Quim lamenta a situação e apela à entidade organizadora a pautar pelo cumprimento dos prazos acordados para se ter um espectáculo com a qualidade e organização que se prese.

“Se queremos ter um Carnaval organizado, é preciso que se respeitem os grupos e este respeito passa pelo cumprimento daquilo que foi combinado nos prazos definidos, porque isso também depois reflecte na qualidade dos resultados que os grupos vão apresentando”, apelou.

Redução das verbas de subvenção

Se por um lado os grupos reclamam a demora na entrega das subvenções, por outro debatemse com a “surpreendente” redução dos valores acordados para a subvenção das classes B e Infantil.

Ao que se sabe, até à última reunião entre a Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL) e os representantes dos grupos aptos para o desfile, terá sido acordado uma subvenção em torno de um milhão e duzentos mil para os grupos das classes B e 700 mil para a categoria Infantil para o suporte dos preparativos, ao passo que os da classe A receberiam cerca de 3 milhões Kz.

A este jornal os responsáveis dos grupos das categorias inferiores (B e Infantil) denunciaram que foram retirados 200 mil Kz, sem uma comunicação prévia, tendo sido disponibilizado apenas um milhão Kz para a classe B e 500 para Infantil.

Segundo Inácio Domingos, presidente da União 17 de Setembro, a organização não justificou a razão do “desconto” nem comunicou com antecedência que faria um “corte” na subvenção, uma situação que deixa os grupos insatisfeitos e mais “apertados” financeiramente, uma vez que, segundo sublinha, os valores são consideravelmente insuficientes face às despesas que os grupos acarretam com os preparativos.

“Recebemos a notificação de que os valores já estavam disponíveis nas nossas contas, mas para a nossa surpresa não estavam completos. Notámos que enviaram apenas um milhão quando o combinado era um milhão e duzentos.

Até ao momento a organização não se pronuncia e assim fica ainda mais difícil de organizar as coisas do nosso lado”, contestou.

Em face da situação, Inácio Domingos adianta que, após a realização do Entrudo, os grupos tencionam marcar uma reunião com a comissão organizadora a fim de serem esclarecidos os motivos das falhas e atrasos na disponibilização financeira e outras questões relacionadas com a preparação do evento.

Busca de apoios alternativos As limitações financeiras e materiais dos grupos, em véspera de Carnaval, têm sido uma realidade recorrente que vem afectando quase todos (senão mesmo todos) os conjuntos carnavalescos, independentemente das dimensões ou classes em que estão inseridos.

Para fazer face a esta realidade e, de modo a mitigar os efeitos destas “lacunas”, alguns actores carnavalescos propõem a busca de outras fontes de apoio financeiro e material para que os grupos consigam estar preparados da melhor maneira possível.

Afectado pela entrega tardia das verbas, o grupo União Nzinga Mbandi optou por recorrer a fontes alternativas de apoio para poder preparar-se da melhor forma possível e com menos dificuldades, conhecendo a realidade da organização carnavalesca.

António Domingos, presidente do colectivo, afirmou que os preparativos do seu conjunto decorrem a bom ritmo, com limitações ligeiras, fruto de uma preparação eficiente, no diz respeito ao quesito financeiro, através de recurso a patrocínios singulares.

O responsável defende que os grupos devem recorrer a outros apoios antecipadamente e procurar não depender totalmente das subvenções para evitarem grandes constrangimentos durante os preparativos que coloquem em causa a qualidade dos seus resultados.

“Quando um grupo quer apresentar um trabalho de qualidade, tem que ter a responsabilidade de se preparar bem, é preciso ‘bater à porta’ de outras instituições e não esperar apenas o dinheiro da APROCAL, porque, se continuar a depender desta ajuda, continuará a enfrentar os mesmos problemas que estamos a ver hoje.

Temos que ser responsáveis e saber prevenir-se”, recomendou o líder cultural. O responsável garantiu que estão criadas todas as condições para que o seu conjunto apresente um trabalho excelente, adiantando que nesta edição o grupo pretende levar pouco mais de três mil pessoas, entre bailarinos, apoio técnico e falange de apoio, sendo que o colectivo estará representado na classe A e na classe Infantil.

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