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Patrícia Faria quebra jejum discográfico nove anos depois

Jornal Opais por Jornal Opais
6 de Abril, 2018
Em Cultura

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Patrícia Faria é a nossa interlocutora, uma mulher de vários ofícios, dentre os quais a música, em que se tornou largamente popular. Ao cabo de nove anos, depois de ter lançado as duas primeiras obras discográficas, Patrícia prepara-se para este ano apresentar o terceiro disco. Bastante comunicadora, foi objectiva em relação às questões colocadas ao longo da entrevista que se segue

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Texto de: Jorge Fernandes

Que lembranças tem do grupo que a viu nascer musicalmente, As Gingas do Maculusso?

Lembranças para toda uma vida, criamos laços muito fortes, laços que fazem de nós família, já que convivíamos mais uns com os outros, do que até mesmo com os nossos próprios familiares.

E o quê esteve na base da desintegração do grupo?

“Águas passadas não movem moinhos”, diz o ditado popular, e do passado retiramos lições para a vida, lições que têm a função de dar mais maturidade à nossa caminhada terrena. Creio ser esta a única vantagem que retiramos dos momentos menos bons da nossa vida. Este é um momento que passou, e como tal, está ultrapassado e cicatrizado.

Depois de ter decidido cantar a solo, não tarda muito e é logo distinguida no Top dos Mais Queridos em 2003. Qual foi o significado daquele troféu?

Significa tudo, a confirmação da maturidade musical. É o marco do início da minha carreira a solo, não poderia ter sido mais abençoada.

Sentiu-se mais valorizada ou nem por isso?

Os prémios são um incentivo à criação, mas nunca poderão ocupar o lugar da valorização que diariamente recebemos dos nossos fãs, eles são o incentivo maior. Quem não é amado pelo seu povo, não tem chão, nem sentido a arte que advoga.

Por outro lado, esse sucesso de 2003 também descambou numa outra controvérsia ligada a Sabino Henda, que depois ganha, no ano seguinte, quando já estava fora de competição. E bocas houve que o seu sucesso estava ligado a “ordens superiores”. O que tem a dizer a esse respeito?

Desconheço essa polémica, quiçá por já terem passado muitos anos, e dela não me recordo.

Exerce vários ofícios, entre eles a advocacia, a rádio, o empresariado, a música, obviamente, e a casa de cultura Njinga A Mbande, além de ser mãe e esposa. Como é possível conciliar todas essas tarefas?

A família sempre foi o meu porto seguro, o apoio familiar e a disciplina têm sido fundamentais para o sucesso dos projectos em que me dedico, não fosse isso, por certo que não seria bem-sucedida no que faço.

O que é que lhe dá mais gozo de fazer em todas essas ocupações?

Tudo (risos), me completo em tudo que faço, e quando penso em desistir de algumas delas, o vazio toma conta de mim.

Que outras ambições profissionais ainda persegue?

Para os próximos tempos, almejo dar início ao meu mestrado e colocar, ao fim de nove anos, a minha terceira obra discográfica no mercado.

Como é que caracteriza o estado actual da música angolana? Temos de facto muita quantidade, mas pecamos pela ausência de qualidade e originalidade de muitos dos actuais intervenientes. Pecam pela falta de criatividade, o que leva a terem uma vida artística muito curta.

De repente, o seu público foi surpreendido, e passou a ouvir-lhe já noutra estação “Gudando e gostando”. O que a levou a saír da Rádio Luanda?

Sou uma mulher de desafios, propús- me isso: a novos desafios e à busca pela valorização profissional e superação. De facto mudei e gostei, este não é só o slogan da 91.7 a rádio MFM em que agora laboro, é um sentimento que é real e em muito contribui para o meu bemestar psicológico e profissional.

A rubrica “Ouvi dizer”, sem desprimor aos demais, ficou mais pobre. Concorda comigo?

É normal que cause alguma estranheza a alteração do formato original concebido por mim com a presença do Bismarck José. Contudo, o Bismarck José é um grande comunicador e muito me orgulho de ter participado no crescimento profissional dele que não obstante a isso preferi dar outro passo ao meu profissionalismo, ligada a uma área que sempre gostei e me propús desafiar.

“Onda reggae” foi um espaço no Jovial. Como foi viver essa experiência sendo a que vemos muito defender questões como a africanidade e angolanidade em particular, quer em palco como no dia-a-dia?

Como cantora, abro-me com alguma regularidade a novas sonoridades, e com muito prazer acedemos à proposta de um amigo Rasta, o Rass Sassa para que fizéssemos esta incursão pelo mundo do reggae, onde por essa via pude ir muito mais além do que sabia sobre a música e cultura rastafári.

Por curiosidade. É membro da comunidade rasta?

Uso dread locks mas não pertenço à comunidade rasta

“Eme Kiá” e “Baza baza” são os seus rebentos discográficos. Já clamam por outros? Que projectos tem para os próximos tempos?

O lançamento da minha terceira obra discográfica, que está praticamente concluída, sem sombras de dúvidas, será ainda este ano. Brevemente, os apreciadores das minhas músicas vão poder dela desfrutar, e acredito que vão gostar na mesma medida em que apreciaram os dois primeiros discos. Aguardam- se muitas novidades.

Perfil

Nome: Patrícia Natacha Rodrigues de Faria Domingos

Estado civil: Casada

Filhos: Dois: Henda Essanjo e Weya Iohima

Sonhos: mais igualdade social, menos pobreza, um país bom para se viver para os nossos filhos, para todos os angolanos.

Influências musicais: De entre muitas a mais forte: o Semba

Hobbies: Viajar

Cidade de sonho: Havana

Perfume: Petit et mama

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