O estado actual das infra-estruturas que comportam as alas principais e secundárias do mercado do artesanato não oferece total segurança às peças e materiais artísticos dado o facto de a cobertura não abranger toda a extensão do pavilhão principal. Artesãos, escultores e vendedores manifestam preocupação com a situação, com receio de as águas danificarem os seus materiais de trabalho e gerarem sé rios prejuízos financeiros
Localizado no distrito urbano do Morro dos Veados, junto ao Museu da Escravatura, no Município de Belas, em Luanda, o Mercado do Artesanato, também conhecido como
“Praça do Artesanato”, é o principal espaço de vendas de peças e artefactos de artes da cidade capital, sendo também o maior e melhor equipado a nível do país. Aberto ao público desde Abril de 2015, o espaço resulta da transferência do antigo Mercado do Artesanato do Benfica, que estava localizado na zona do Kifica, que não oferecia condições de comodidade adequadas, quer para os vendedores, quanto para os compradores.
Actualmente, apesar de oferecer mais conforto e comodidade aos comerciantes, os mesmos ainda se sentem receosos quanto à segurança das suas peças quando se aproximam as épocas chuvosas. Carlos Pedro, artesão há mais de 30 anos, conta que as chuvas até agora continuam a ser a grande ameaça do espaço.
O ar tesão de 57 anos mostra que viu e viveu várias fases desta vida artística e recorda quão era difícil manter o negócio no antigo Mercado do Artesanato, quando ainda estava na zona do Kifica.
“Era difícil, tínhamos pouco espaço, era tudo muito aperta do e, quando chovesse, era uma verdadeira dor-de-cabeça, as peças corriam o risco de estragar com as águas porque não havia cobertura suficiente para to do o mercado”, recorda o arte são.
Hoje, apesar das melhorias implementadas no actualmer cado, o receio e a preocupação mantêm-se e as chuvas continuam a ser uma “dor-de-cabeça” para muitos dos feirantes naquele mercado.
O experiente artesão reconhece melhorias na condição das infra-estruturas do mercado e não só, entretanto, sublinha que ainda há um trabalho árduo por se fazer para que se possa ter um mercado muito mais acomodável.
Trabalhos de ampliação do tecto “a passos de camaleão”
Com o objectivo de colmatar a situação da cobertura de mo do que todos possam ter as suas bancadas protegidas das chuvas, os artesãos e administração do mercado uniram mãos para a realização de obras que visam ampliar o tecto, contando com o suporte da Administração Municipal de Belas.
“Isto é um esforço que estamos a fazer com a ajuda da Administração, eles deram uma parte e nós também fizemos a nossa contribuição para fechar uma boa parte com chapas”, disse José Zau, artesão e coordenador do núcleo dos artesãos do referido mercado.
José Zau, carinhosamente tratado pelos seus colegas por “Zé Calanga”, explica que no princípio era difícil para os vendedores manterem ali os seus produtos durante as chuvas por falta de cobertura total do recinto.
Embora a Administração esteja a apoiar e acompanhar de per to a empreitada, os artesãos reclamam da morosidade da obra que, avançam, já devia terter minado se houvesse mais recursos e materiais.
Os profissionais daquela arte rudimentar estão a levar entre si uma campanha de auto-ajuda com o intuito de “juntar dinheiro para comprar as chapas e os ferros que faltam” para ver se a obra fica concluída o mais rápido possível.
“Nós próprios, junto com a administração, é que estamos a fazer um esforço, eles nos deram 350 chapas e estamos a fazer os trabalhos, mas está a faltar mais material para ver se tu do fica pronto porque vêm aí as chuvas e queremos terminar para não sermos apanhados de surpresa”, ressaltou o líder associativo.







