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Joyce Jazz homenageia mulheres com “Paletas de Cores” na Galeria Tamar

Augusto Nunes por Augusto Nunes
26 de Março, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

Cinquenta quadros de pintura compõem a exposição “Paletas de Cores” da artista plástica angolana Joyce Jazz, inaugurada na Galeria Tamar, da Fundação Arte e Cultura, Ilha de Luanda, numa sessão abrilhantada pela Banda Weya

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A amostra produzida em técnica de cubismo e abstracto e tinta acrílica, tem a curadoria de Xavier Narciso e ficará patente ao público da cidade capital até 9 de Abril, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira.

A colecção, reunindo conteúdos diversos, levou dois meses a ser preparada e destaca a importância da Lei para todos nós, o que torna a artista autêntica e diversificada.

A exposição da produção corrente da artista propõe uma imersão num ecossistema criativo, com combinações de gestos, linhas e cores que sugerem a ordem do caos. Numa tentativa de poetização da sua herança, Joyce Jazz apresenta, nesta produção, uma conexão entre o sujeito e o objecto, símbolos contrários que partilham o mesmo espaço.

Com o homem e a mulher no centro é possível, Joyce Jazz propõe uma viagem a um imaginário que teimosamente nos remete sempre à poética do legendário artista plástico angolano, Paulo Jazz, seu pai, principal referência da artista.

Neste conjunto de obras, Joyce Jazz afirma-se como continuadora e fiel depositária do arquivo patrimonial e da memória do seu Mestre, Paulo Jazz.

A artista está num processo de descoberta e crescimento, rebuscando e apropriando-se, com toda legitimidade, de todo o manancial de energia criativa e dinâmica que povoava o atelier do seu prolífero Professor Paulo Jazz, lugar onde ela cresceu como pessoa e artista.

A discípula Joyce Jazz evidencia o respeito e a admiração que nutre pelo lendário Mestre Paulo Jazz.

Esta manifestação de afecto pelo artista e pelo seu trabalho sublinha a capacidade da arte em unir pessoas diferentes no mesmo lugar.

A artista pretende, com a experimentação, com as novas relações dentro do ambiente do sistema artístico e cultural, conquistar novos espaços, procurando afirmar a sua identidade e autonomia, dando lugar a dinâmicas, transformações e rumo a novos referentes e conquistas, sem perder de vista a sua marca genética, seu principal referente.

Questionada quanto à ideia da criação desta colecção no mês consagrado a Mulher, Joyce Jazz referiu que nasceu de um grande sonho, de realizar, em 2016, uma exposição cuja intenção acabou por ser reforçada pelo seu pai.

A artista conta que não sabia como começar, mas apesar dos imprevistos registados ao longo percurso, não se fez regredir e decidiu seguir em frente.

Questionada ainda quanto às ilustrações, símbolos e tópicos representados na obra, Joyce referiu que, se tratando de uma artista universal, abordou temas sobre a Lei e Ordem, inspirados pela deusa grega Themis, uma das esposas de Zeus, que ficava ao seu lado para dar sabedoria nas tomadas de decisões.

Símbolos da Lei

Já no que aos três trechos da Lei que se fazem presentes na obra se referem, a artista destacou a venda como um símbolo de imparcialidade, mostrando que esta deusa não faz distinção entre aqueles que estão sendo julgados.

Já no que a balança diz respeito, realçou que esta indica o equilíbrio e ponderação na hora de pesar, lado a lado, os argumentos contra e a favor dos acusados, ao passo que a espada realça um sinal de força.

Nesta magnifica exposição, Joyce Jazz traz também um tema intitulado “Posso Sim” que faz menção às mulheres nos espectos de superação, mulheres que venceram o câncer, vítimas de abusos sexuais e domésticos, que apesar da sua tamanha dor e humilhação, usam as suas dores para levantarem outras mulheres como os grandes ícones Oprah Winfrey e Joyce Meyer, suas principais inspirações. “Paletas de Cores” fala também sobre a autora, dos sentimentos que a há em si.

Paleta é, segundo Joyce Jazz, um escudo, e as cores, energias boas que transmite através da tela como “Super Poder”, uma vez que as cores podem influenciar psicologicamente sobre o ser humano.

Algumas estimulam, outras tranquilizam, por serem captadas pela visão e transmitidas para o cérebro, reflectindo consequentemente impulsos e reacções para o corpo.

“Sou viciada em trabalhar, sou muito focada, quando sinto que quero trazer uma colecção, isolo-me no meu santuário e só vou trabalhando, adoro desafiar-me”, disse.

Homenagem às mulheres

A exposição, “Paletas de Cores”, rende também uma singela homenagem a todas as mulheres, neste mês, a elas consagrado.

“Neste belo mês vou homenagear todas nós, porque sou mulher e quis brindar a Nação, fazendo história para incentivar outras artistas a agarrarem os seus talentos e multiplicá-los”, realçou Joyce, sublinhando que quer deixar mulheres inspiradas a trabalhar e a terem força de vontade para fazerem o que sonharem, visto que o Céu não é o limite.

“Somos resilientes e fortes, há lugar para todas, onde você sonhar estar, você consegue Há muitos anos que mulheres levantaram-se para contribuir para humanidade com seus dons, e eu uso esta exposição como um brinde e uma motivação”, justificou Joyce Jazz.

A artista afirmou igualmente que tem reservadas outras obras, uma vez que esta exposição já teria sido realizada o ano passado, o que não aconteceu por ter apresentado o projecto a alguém que aparentemente prontificou-se ajudar com espaço e não o fez.

“Infelizmente, apresentei o projecto a alguém que aparentemente comprometeu-se em ajudar-me com espaço, mas no fim apercebi-me que só quis explorar, brincar com meu trabalho ou aproveitar-se, uma vez que eu tinha feito uma exposição denominada “Força da Mulher”, no mês de Outubro.

Percurso artístico

Joice Neide de Sousa Cunha Esteves, de nome artístico Joyce Jazz, nasceu em Luanda, em 1997. É formada em Ciências Económicas e Jurídicas no Colégio Amadurecer em 2016.

Pintora, desenhista, estudante, é uma YouTuber de referência em Angola. Iniciou a pintar aos 3 anos de idade com seu Pai, Mestre Paulo Jazz.

Participou no Seminário de Cerâmica, Luanda, em 2006, realizado pela UNAP e BARRACHAFornos e Tecnologias Termodinâmicas.

As suas obras encontramse espalhadas em colecções particulares, Galerias de África, Europa, Ásia, América do Sul e Norte. Em 2018, teve algumas aulas com o professor brasileiro David Pedrosa.

Participou em exposições colectivas com artistas de referência, tais como Paulo Jazz, Paulo Kapela, António Ole. Exposições colectivas desde pequenina com seu pai Paulo Jazz na UNAP.

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