O docente universitário José Luís Mendonça defendeu a implementação de Clubes de Leitura em todas as escolas do país, para explorar a literatura angolana e mundial, durante o debate sobre “O Dilema Iliteracia da Literatura no Ensino em Angola”, decorrido na União dos Escritores Angolanos
O escritor, que foi um dos prelectores no evento, observou ainda a necessidade da criação de pequenas bibliotecas dentro das salas de aulas, onde cada aluno possa ler, pelo menos, um livro por trimestre, entre outros aspectos apontados como passos a seguir.
Pelos desafios constatados, o docente defende que o Governo deveria considerar entregar a Gestão do Plano de Educação a instituições com maior capacidade de execução e integridade, como as Igrejas.
Ainda durante os debates, que contou com outras participações, foi também destacada a escassez enorme de livros em zonas periféricas, o que, no entender dos participantes, actua como um catalisador negativo para o desenvolvimento cognitivo.
Os especialistas advogaram que a leitura não pode ser vista apenas como um acto académico, mas como um mecanismo de autoconhecimento e melhoria da capacidade argumentativa dos cidadãos.
Alfabetização e interpretação
Um ponto crítico levantado neste debate foi a distinção entre saber ler e saber interpretar. Os especialistas realçam que, apesar de observar-se que algumas crianças consigam decifrar letras, lhes falta a capacidade de compreender o significado do que lêem.
Porém, entendem que a solução proposta envolve não apenas a alfabetização básica, mas também o estímulo através de contos e a utilização estratégica de ferramentas digitais (como RTP Play e Zig Zag) para contrapor a influência negativa de conteúdos superficiais de redes sociais como o TikTok.
Apesar do cenário pessimista, foram apresentados alguns exemplos de sucesso vindos da sociedade civil. O uso de incentivos simples (como “leitura doce”) em bibliotecas comunitárias e a criação de projectos como o “Geração Consciente” demonstram que agentes sociais podem preencher lacunas deixadas pelo Governo. A ideia de “mini-bibliotecas” em salas de aula foi proposta como uma forma de garantir que cada aluno termine pelo menos um livro por trimestre.








