O escritor e jornalista angolano João Melo, ao apresentar as obras “O Acumulador”, “Os Sonhos Nunca São Velhos”, “Será Este Livro um Romance” e “Quitad la rodilla de mi cuello”, ontem, 03, na União dos Escritores Angolanos, referiu que, apesar de ter lançado os livros no exterior, tem como prioridade na carreira o seu compromisso com os leitores angolanos
Segundo o escritor, as obras retratam temas específicos como contos, dois livros de ficção e poesia, que, a par de narrarem a realidade do país, nos últimos anos, trazem ainda diferentes acontecimentos do mundo, em geral, isso, porque, o que acontece ao redor está reflectido, de uma maneira artística, nos livros de ficção e poesia. São livros publicados nos últimos cinco anos, e saíram sobretudo em Portugal e no Brasil, ao longo deste período.
Não foram todos lançados agora, mas, sim, desde 2020, e, como não tem nenhuma edição angolana infelizmente como gostaria, resolveu, de acordo com os respectivos editores, trazer alguns livros para disponibilizar aos leitores angolanos. “
Os leitores angolanos são os meus primeiros leitores, para mim, é um prazer grande e é um compromisso porque, como autor angolano, entendo que os meus primeiros leitores devem ser os de casa”, disse. Lamentou pelo facto de em todo mundo a indústria editorial estar a passar por grandes dificuldades. “Não está fácil editar, visto que a produção é cara, e encontramos esta solução de colocar à disposição do povo angolano alguns destes livros”.
Questionado sobre a necessidade de se poder disseminar a literatura angolana nos manuais e nos currículos escolares, João Melo disse que há muitos anos que os escritores angolanos defendem que haja uma parceria entre o Ministério da Educação e o sistema literário para que as escolas de todos os níveis possam comprar livros de escritores angolanos às editoras nacionais, porque este processo vai permitir não apenas difundir a literatura, como também contribuir para a educação, compreende que educação não é apenas tecnologia, bisness, mas também a cultura humanística, a reflexão cultural artistica é imprescindível para se formar bons seres humanos e não apenas tecnólogos ou empreendedores.
As obras que estarão disponíveis para o público nacional são um conjunto de uma produção mais recente do autor, lançadas há pouco tempo em países como Portugal, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América. Apresenta as obras ” O acumulador”,” Os sonhos nunca são velhos”, “Será este livro um romance” e “ Quitad la rodilla de mi cuello”, edição em espanhol do livro“ “Diário do Medo”.
Convidados expectantes com as obras
O evento contou com a participação de escritores, críticos literários, estudantes, jornalistas, membros do Governo, familiares, amigos e outras individualidades. Por sua vez, o político Higino Carneiro, presente no acto, felicitou o autor pelo trabalho apresentado e encorajou a todos os mais-velhos a escreverem no sentido de passarem o legado para as novas gerações. Já a escritora Cíntia Gonçalves avançou que terão a oportunidade de ter acesso aos seus livros traduzidos em outras línguas como o inglês e o Frances, compreende que, de facto, a literatura angolana tem alcançado novos públicos, de outras línguas.
Defendeu que, enquanto jovens, é bastante positivo na medida em que algumas vezes faltam referências nas artes. Assim, ter acesso a publicações das gerações que os antecederam, a nível da literatura, dará a oportunidade aos jovens de melhorar a sua escrita, ampliar os horizontes de leitura e poder confrontar o que têm produzido com as obras dos mais-velhos, para melhor aprendizado. “ Sempre acompanho o trabalho do escritor João Melo, deste mais pequeno e é muita gratificação ter acesso aos seus livros”, disse.
UEA enaltece a iniciativa
O secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), Lopito Feijóo, agradeceu a presença de todos, com realce para o filho de casa que regressou com boas novidades. “João Melo é filho de casa, é membro da União “, disse satisfeito.








