O músico, jornalista e investigador cultural José Cristóvão da Silva Júnior, conhecido por José Weza, autor da obra “A Música Contemporânea e a sua Evolução Estética”, entre outras, expressou a profunda preocupação com a perda da identidade cultural angolana
O investigador, que falava em exclusivo ao Jornal OPAÍS, apontou que géneros históricos como a Rumba, que foi a base para mui tos músicos antigos, estão sendo esquecidos pela nova geração em favor do Semba ou Kizomba.
A jornada de José Weza na preservação da memória e da identidade da música angolana começa também com um alerta para a “invasão linguística” do Lingala em detrimento do Kikongo, uma língua histórica de Angola que está perdendo o seu espaço até mesmo nas comunidades nativas.
Weza, que está em véspera de gravar um disco inédito ainda este ano, defende que os músicos contemporâneos têm a obrigação de conhecer os seus antecessores e valorizar as línguas nacionais em suas composições.
O artista detalha a sua evolução de músico a historiador cultural, desta cando os desafios da indústria edito rial em Angola e a urgência de preservar géneros musicais e línguas
nacionais em risco de desapareci mento. Indagado quanto ao estado actual da nossa música angolana, Weza referiu que atingiu uma sonoridade de nível mundial, não devendo nada a outros segmentos internacionais. Porém, criticou a falta de investimento por parte do Estado.
O investigador relembra com nostalgia o sucesso da digressão “Canto Livre de Angola”, no Brasil nos anos de 1980, como um exemplo de diplomacia cultural que deveria ser replicado, em vez de se gastar recursos importando músicos estrangeiros que pouco acrescentam ao panorama local.








