A necessidadeurgente de se introduzir o Kimbundu e outras línguas nacionais nas creches de Luanda marcou, ontem, quarta-feira, 25, o centro das discussões da “Semana de Línguas e Literaturas Africanas”, que decorre desde sexta-feira, 20, no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), no Kilamba, em Luanda
Durante o dia de debate à volta da língua Kimbundu e do povo Ambundu, especialistas, investigadores e docentes defenderam que a ausência total da língua mencionada, bem como de outros idiomas nacionais, nas instituições préescolares a nível do país constitui um risco para a preservação da identidade cultural e linguística do povo angolano.
O painel que teve como tema “Ensino e Aprendizagem da Língua Kimbundu: O Valor da Língua na Educação da Criança”, os intervenientes consideraram preocupante o facto de nenhuma creche em Luanda incluir, até ao momento, o ensino sistemático da língua nacional, situação que classificaram como reflexo de preconceitos ainda enraizados na sociedade.
“Persiste a ideia de que a aprendizagem de uma língua nacional pode atrasar o desenvolvimento académico da criança, situação que nos preocupa, uma vez que os estudos internacionais e de outros países africanos demonstram o contrário”, afirmou Miguel Lubwatu, um dos prelectores do evento.
Segundo o pesquisador, que acompanhou o debate minuciosamente, a introdução do Kimbundu dos zero aos seis anos permitiria às crianças desenvolverem melhor as capacidades cognitivas, bem como fortalecer a identidade cultural e facilitar o processo de ensino e aprendizagem de outras línguas, incluindo o português, considera a língua oficial de Angola.
“Algumas creches privadas já introduzem o ensino do inglês e do francês, enquanto as línguas nacionais continuam ausentes do espaço formal de aprendizagem”, lamentou o também professor de Kimbundu, com a esperança de ver realizadas políticas públicas que incentivem a implementação progressiva do idioma, e de outras línguas nacionais no ensino préescolar.








