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Exposição colectiva “destapa” talentos de estudantes de artes plásticas do CEARTE

Cerca de 27 alunos finalistas do Complexo Escolar de Artes (CEARTE) protagonizaram o lançamento da primeira exposição colectiva daquela instituição, intitulada “Conexões Artísticas”, composta por mais de 30 peças expostas na galeria do Palácio de Ferro, em Luanda

Maria Custodia por Maria Custodia
18 de Novembro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

A exposição, cujo lançamento aconteceu na última sexta-feira, 16, pelas 18 horas, é composta por mais de trinta peças de arte, produzidas à base de mistura de técnicas de disciplinas artísticas ligadas às artes visuais e plásticas, como a pintura, escultura, gravura e a cerâmica. As obras estarão patente na galeria do Palácio de Ferro por um período de um mês, isto é, de 14 de Novembro a 14 de Dezembro do corrente ano.

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Durante o período de exposição, de acordo com o coordenador do departamento das Artes Visuais e Plásticas do CEARTE, Manuel Ventura, serão realizadas uma série de actividades que visam promover a reflexão em torno do ensino e do mercado das artes visuais e plásticas em Angola.

Sublinhou que neste período serão promovidos debates, workshops, oficinas e ateliê de pintura e artes plásticas, assim como várias mesas-redondas com temas à volta daquilo que têm sido os desafios do ensino artístico no país, e ensinar os jovens estudantes a compreenderem como funciona o mercado artístico nacional, entre outros assuntos.

Conforme o responsável, os encontros e debates vão ocorrer todas as sextas-feiras, no Palácio de Ferro, com convidados e especialistas na matéria, como artistas plásticos, pintores, antropólogos, escultores, artesões, entre outros.

Adiantou que o propósito da exposição, além de promover o talento dos jovens estudantes e exibi-los ao público, é de, também, arrecadar fundos com a venda das peças e, com estes valores, poder colmatar algumas dificuldades que a instituição apresenta, assim como apoiar os referidos autores na aquisição de material para os futuros trabalhos.

“A exposição colectiva é resultado do trabalho de defesa dos estudantes do último ano lectivo 2023/2024. Nós decidimos retirar estas obras do CEARTE para uma sala de exposição mais convencional.

Ao mesmo tempo que as mesmas também serão comercializadas para ajudar a colmatar algumas dificuldades que existe principalmente nos ateliês de artes”, disse o coordenador e docente, Manuel Ventura.

Explicou que todas obras são propriedades da instituição, e que, com o dinheiro arrecadado nas vendas, se pretende minimizar algumas das várias dificuldades que enfrentam nos atelieres dos quatro cursos da área que dirige, desde a escultura, pintura, gravura e cerâmica.

Reduzir a carência de materiais

Manuel Ventura fez saber que a iniciativa de se realizar a exposição visa, por outro lado, procurar mitigar as carências e insuficiências que a instituição apresentana área de artes visuais e plásticas, especialmente no que diz respeito à aquisição de materiais e obras-primas na produção das peças artísticas.

No que diz respeito ao ateliê de gravura, segundo o responsável, a instituição conta apenas com a estrutura, mas não tem nenhum material, e para que os alunos possam produzir obras de arte, principalmente de lilo e chilo gravura, muitas vezes usam o método tradicional.

Em outros casos, detalhou, os alunos veem-se obrigados a se deslocar da Camama 1, onde está situada a instituição, até ao centro da cidade, e recorrer à União dos Artistas Plásticos (UNAP), onde tem uma prensa que lhes permite fazer a impressão dos trabalhos.

Aproveitando a ocisão, o coordenador mostrou-se aberto a apoios (materiais ou financeiros), sobretudo para a compra de uma prensa que, segundo fez saber, custa acima de dois milhões de kwanzas, além de outros materiais necessários para ajudar na continuidade e aposta na formação de qualidade dos seus estudantes.

O responsável manifestou também que outra grande preocupação prende-se com a falta de salas formais para exposição das obras, visto que as salas que usam são alternativas.

Exibição de jovens talentosos

Manuel Ventura considera que o evento é mais do que uma simples exposição, na medida em que é um convite para a imersão ao universo criativo dos jovens artistas que, através de suas obras, abordam questões bastante relevantes e actuais.

Conforme o interlocutor, cada peça representa um testemunho da diversidade e da singularidade do olhar artístico individual, ao mesmo tempo que reforça a ideia de que a arte é uma ponte capaz de conectar diferentes experiências e sensibilidade humanas.

Disse que esta é a primeira edição de um projecto que poderá ser contínuo nos próximos anos. Adiantou que a iniciativa partiu de si e do seu colega, professor Josué Muxito, que, olhando para o trabalho e dedicação dos alunos, juntos tiveram a ideia de mostrar ao público e às pessoas que amam a arte o talento dos jovens.

Nesta senda, o docente apela aos artistas já conceituados, empresários e à sociedade em geral no sentido de se juntarem à causa e serem padrinhos, para ajudar na orientação profissional dos alunos recém-formados, “porque os jovens são a continuidade do trabalho artístico que é feito a nível de todo país”.

Expositores de mãos cheias

Domingos Quitumbo, um dos estudantes finalistas do ano passado no curso de Artes Plásticas, na especialidade de pintura, disse que cada obra tem uma temática que aborda nas telas a expressão e manifestação dos alunos.

“As minhas obras abordam um pouco mais sobre a origem da vida”, explicou o jovem de 22 anos de idade. Já Manuel dos Santos Miranda, outro finalista e autor da exposição, falou sobre sua experiência enquanto estudante do curso de artes plásticas, na especialidade de gravura, tendo avançado que teve e até agora tem tido muitas dificuldades para aquisição de materiais para dar continuidade das aulas práticas.

Apesar dos entraves, o jovem aconselha aos outros jovens a não se deixarem para atrás no mundo das artes, e referiu que, embora haja muitas dificuldades, é possível viver da arte quando se é um bom artista.

“Muitos consideram que esta área não dá lucros, mas é possível fazer dinheiro e viver dela quando se é um bom artista”, expressou o jovem de 20 anos de idade.

Uma das ex-estudantes é a Tatiana dos Santos, que trouxe para a exposição uma obra abstracta e contemporânea, com a qual pretende convidar as pessoas a uma reflexão e expressar suas emoções na escolha do movimento das linhas e cores que transmitem tranquilidade, serenidade, paz e harmonia. “Escolhi estas tonalidades e cores decrescentes para transmitir esta sensação de paz à alma”, admitiu.

Maria Custodia

Maria Custodia

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