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ESCRITOR JOSÉ AGUALUSA: “Uma literatura forte contribui para que o país seja conhecido e respeitado internacionalmente”

Jornal OPaís por Jornal OPaís
8 de Agosto, 2025
Em Cultura, Em Cartaz

Em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, o escritor José Eduardo Agualusa destaca a importância da literatura para o desenvolvimento do país, assim como o seu papel na difusão da imagem da nação no exterior. O mesmo aponta as lacunas e os desafios do mercado literário angolano que se vão agravando paulatinamente com a delicada situação económica e social que o país enfrenta há mais de uma década

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Recentemente, José Agualusa foi uma das figuras escolhidas para ser condecorada cá em Angola, em jeito de reconhecimento pelo seu contributo na literatura nacional, no âmbito da celebração dos 50 anos de independência nacional. Como olha para este gesto?
Bem, para começar, isto é um reconhecimento da importância da literatura para o desenvolvimento da nossa nação. Apesar de eu sentir que a literatura ainda é desprezada no nosso país, ela tem muita importância para um país, no sentido em que, em primeiro lugar, ajuda as pessoas a reflectirem porque ela, antes de mais, é um território de ideias. Os livros ajudam a abrir as mentes, discutir ideias e opiniões, suscitam debates e outros exercícios mentais muito positivos.

Por outro lado, a literatura ajuda também a elevar o nome do país no exterior. Uma literatura forte contribui para que o país seja conhecido e respeitado internacionalmente, mas às vezes vejo que infelizmente nos países africanos ainda dá-se pouquíssima importância à literatura.

Mesmo olhando para o nosso contexto em Angola, é muito importante lembrar que os movimentos de libertação nasceram sobretudo como movimentos literários, movimentos de poetas, de escritores, de pensadores e críticos que naquela altura já tinham a capacidade de reflectir sobre o futuro da nação. E é destes movimentos de reflexão que originaram os movimentos contestatários e próindependentistas.

Não é por acaso que o primeiro governo da Angola independente foi formado maioritariamente por gente ligada à literatura, começando pelo próprio presidente, António Agostinho Neto.

Olhando para este reconhecimento, sente que as suas obras têm sido devidamente aproveitadas pelo público leitor angolano, sobretudo pelos jovens, que representam mais de dois terços da população nacional?
Sempre que lanço uma obra em Angola, fico bastante comovido pela participação de jovens no acto, é bastante expressivo o grupo de jovens que se tem feito presente nos meus lançamentos.

Então, o que eu sinto é que há uma grande parte da juventude angolana que tem interesse pela literatura, no entanto, a situação social e económica do país não é boa, as coisas estão cada vez mais caras e difíceis e os livros não fogem à regra.

Eu acho que a grande dificuldade que temos em Angola é o acesso aos livros. Não só os livros estão muito caros, como temos um número muito reduzido de bibliotecas públicas no país, e principalmente bem apetrechadas. Portanto, até pode haver muita gente que queira ler, mas como é que vão ler se não há livros? Por isso, o grande desafio em Angola é a divulgação dos livros e a facilitação do acesso aos livros.

Olhando para estas limitações que apontou, qual é a sua visão sobre o contexto actual da literatura nacional?
Penso que continua com a mesma qualidade, com a mesma diversidade, aliás, o mais interessante na literatura angolana é a sua diversidade. Nos últimos anos, têm aparecido alguns nomes muito interessantes na literatura nacional, sobretudo jovens com propostas muito diversas, tanto na ficção quanto na poesia, e para mim isto é muito interessante porque demonstra que a literatura angolana está a crescer.

No entanto, infelizmente este crescimento contrasta com a realidade sociopolítica e económica. Ainda há um longo caminho por se percorrer para que possamos ter uma literatura ao nível que se deseja.

Além da componente política e/ou económica, o que falta para termos uma literatura ao nível que se deseja?
Angola é um país de histórias, e histórias estas muito interessantes, no entanto, acho que faltam pessoas com formação, com preparação para contarem estas histórias. E esta questão está associada à falta de políticas de apoio aos livros. É preciso que haja medidas certeiras para formar as pessoas, facilitar o acesso aos livros, e isso passa necessariamente pela redução dos custos, e isso vai de certeza impulsionar a melhoria no cenário literário nacional. Em resumo, é isto, o que nos falta em Angola são as políticas de apoio aos livros. E outra coisa são as bibliotecas públicas que precisam ser aumentadas e devidamente apetrechadas.

Tem-se levantado muito a preocupação da “ausência”, vamos assim considerar, da literatura nacional nas escolas. Parece que lêse muito pouco autores nacionais nas escolas e as crianças e jovens estudantes quase não conhecem os escritores angolanos. Que passos aponta para se inverter este quadro?
Mais uma vez, como disse, isso passa pela existência de uma política de fomento à literatura, o que não temos em Angola. Passa pela constatação e aceitação de que a literatura é fundamental para o país.

Até já tivemos isso nos primeiros governos que Angola teve, até porque era formado por pessoas que entendiam e conheciam a importância dos livros. O que me parece hoje é que quem está no poder não lê. E por ser alguém que não lê, não percebe a importância dos livros para o país. O país precisa de políticas de incentivo aos livros e de uma boa rede de bibliotecas públicas que facilitem o acesso aos livros por parte da população.

Há cerca de dois meses, foi anunciado como vencedor do prémio literário Manuel de Boaventura, com o seu romance “Mestre dos Batuques”. O que representa para si esta conquista?
Um prémio literário, em primeiro lugar, é um elogio público, é o reconhecimento do nosso trabalho como escritores, e por tanto é sempre um prazer receber um prémio.

Para ser franco, nem sabia que o meu livro estava a concorrer num prémio literário. Eu sabia da existência do prémio, até porque o meu grande amigo, o Mia Couto, venceu este prémio há cerca de dois anos, mas não fazia a mínima ideia de que o meu livro estivesse a concorrer, foi uma completa surpresa para mim.

Geralmente nestes concursos são as editoras quem inscrevem as obras, e foi o caso deste livro. Foi a editora quem colocou o livro a concorrer e fiquei realmente surpreendido quando soube que eu era o vencedor.

Sendo o primeiro escritor angolano a vencer este prémio, como olha para este feito?
Acaba sendo um incentivo a outros escritores da nossa praça para que acreditem que é possível a literatura angolana ser distinguida e prestigiada no panorama internacional? Um prémio de um escritor angolano não é apenas para o escritor que venceu, acaba beneficiando todos os escritores do país e sobretudo a literatura angolana de modo geral.

Qualquer que seja o valor deste prémio, a primeira coisa que ele traz, sobretudo, é exactamente a atracção das atenções internacionais para a literatura angolana. Mas é importante realçar que este é um prémio literário ainda recente, tem menos de dez anos de existência, e talvez por isso é que nenhum escritor angolano ainda tinha levado.

Mesmo os autores portugueses que já chegarem a vencer também são muito poucos, mas como disse, um prémio é sempre um prémio, e é a literatura angolana que acima de tudo sai a ganhar, conquista assim mais espaço na literatura internacional lusófona.

Como está a decorrer o processo para a recepção do prémio e dos respectivos valores financeiros correspondentes?
O valor do prémio é 7.500 euros. Já estou a manter o contacto, eles ligaram-me há dias, mas ainda não sei quando irei viajar a Portugal para receber. Eu vivo numa ilha em Moçambique, e até ao momento não ficou ainda definida uma data para a recepção do prémio. Estou apenas a aguardar pelo sinal da organização.

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