No âmbito da rubrica “Dançar Kuya”, o Palácio de Ferro, em Luanda, vai acolher, na próxima Quinta-feira, 09 de Julho, o espectáculo de dança contemporânea denominado “E Se…”, com a finalidade de reflectir sobre os desafios que as mulheres enfrentam, bem como a identidade e a sensibilidade por meio da expressão corporal
O espectáculo tem como principal objectivo reunir diferentes moca da bailarina e coreógrafa Huíla Samara, uma vez que a obra dialoga com a realidade angolana, narrando desafios que muitas mulheres vivem. Dentre os temas presentes no enredo, destacam-se ainda o reco meço, responsabilidades familiares e profissionais, bem como outras questões que as mulheres enfrentam na sociedade.
“O espectáculo não é autobiográfico no sentido literal, mas é uma obra profundamente inspirada na minha experiência pessoal, nasce das vivências e reflexões que atravessam o feminino, e, nos últimos anos, vivi mudanças significativas na vida artística e pessoal”, explicou Huíla Samara, mentora do projecto.
Segundo Huíla, a denominação da peça “E Se…” retrata uma representação de imaginação e possibilidades, sendo uma pergunta aberta e sem respostas definitivas, que apresenta a capacidade de o ser humano continuar a reinventar-se, de formas a revisitar as suas escolhas, sonhos, medos e expectativas.
“O propósito surgiu da reflexão sobre a minha própria vida, por alcançar uma idade que carrega um certo simbolismo e suscitou-me a necessidade de olhar para o caminho percorrido e as escolhas feitas, velando pelas infinitas possibilidades que se inauguraram ou deixam de existir a cada escolha que fazemos”, enfatizou Para Huíla, a dança contemporânea permite-lhe unir as técnicas de dança à liberdade de explorar emoções, memórias e estados de espírito de uma forma honesta.
No seu entender, o evento buscará transmitir um momento nostálgico e reflexivo, abordando a realidade da sociedade, incluindo a pressão social e outros aspectos. “A dança contemporânea faz perceber que há sentimentos e experiências que nem sempre são traduzidos por palavras, e o corpo acaba por ser o meio mais verdadeiro para contar histórias”, sus tentou a coreógrafa.
Questionada sobre o que espera do espectáculo, Huíla demonstrou se expectante, e espera que cada pessoa sinta aquilo que a obra lhe vai despertar, de forma a reflectir sobre a sua própria vida, uma vez que, no seu entender, o ser humano não é feito apenas de decisões que toma, mas também das possibilidades que imagina e que continuam a viver dentro dele.
Por outro lado, Huíla revelou que, embora ainda existam muitos de safios, a dança contemporânea tem trazido novas experiências e perspectivas que acabam por enriquecer a cultura angolana.








