Uma conversa dedicada à reflexão sobre o percurso e a relevância do artista plástico António Ole na arte contemporânea angolana reuniu, na passada Sexta-feira, 13, artistas, autores, jornalistas e agentes culturais no Hotel Continental Horizonte, em Luanda.
A iniciativa foi promovida pela Galeria Plano B – Ocirema e teve como ponto de partida o texto do jornalista e autor Filipe Correia de Sá, intitulado “O António e o Ole: tríptico com diálogo, criatividade e renascimento na arte”.
O ensaio reflecte sobre três obras originais pintadas à mão esquerda por António Ole e posteriormente editadas em serigrafia artística pela galeria, constituindo o mote para um encontro dedicado à análise da trajectória do artista.
Durante a sessão, os participantes partilharam reflexões sobre o contributo de António Ole para a afirmação das artes visuais angolanas no contexto internacional, destacando igualmente a dimensão humana e estética da sua produção artística.
Na abertura do encontro, o proprietário da galeria, Aladino Jasse, sublinhou a importância de criar espaços de diálogo e de valorização da criação artística nacional. Segundo o responsável, iniciativas desta natureza procuram aproximar o público da obra dos artistas e promover novas formas de acesso à arte.
“Este projecto nasce da vontade de valorizar e difundir a obra de artistas angolanos, permitindo que mais pessoas tenham contacto com a criação artística. Trata-se também de um exercício de partilha e de reflexão sobre a importância da arte na construção da nossa memória cultural”, afirmou.
O autor do ensaio, Filipe Correia de Sá, destacou a singularidade do olhar do artista e o modo como a arte permite revelar dimensões da realidade que muitas vezes passam despercebidas no quotidiano. “Todos nós partilhamos a mesma realidade, mas o artista tem a capacidade de nos mostrar aquilo que vemos sem realmente ver.
É essa sensibilidade que torna a arte um instrumento essencial para compreendermos melhor o mundo que nos rodeia”, referiu. Também presente na conversa, o artista plástico Mário Tendinha evocou o percurso criativo de António Ole, recordando episódios marcantes da sua trajectória e destacando a consistência do seu trabalho ao longo de várias décadas.
“António Ole faz parte da história da arte angolana. O seu percurso demonstra uma capacidade permanente de experimentação e de diálogo com diferentes linguagens artísticas, mantendo sempre uma forte ligação à realidade cultural do país”, afirmou.
Por sua vez, o autor e dramaturgo Mena Abrantes recordou momentos de convivência e colaboração com o artista, sublinhando a relevância do seu contributo para o desenvolvimento das artes visuais em Angola.
“Conheci António Ole ainda nos anos setenta e tive a oportunidade de acompanhar de perto várias etapas do seu percurso artístico. Ao longo dos anos, a sua obra tem demonstrado uma grande capa cidade de reinvenção, mantendo sempre uma forte dimensão crítica e cultural”, destacou.
A conversa foi seguida de um cocktail de convívio entre os convida dos, proporcionando um momento de partilha entre artistas, intelectuais, agentes culturais e público interessado na valorização da arte contemporânea angolana. Com esta iniciativa, a Galeria Plano B – Ocirema reafirma o seu compromisso com a promoção do diálogo cultural e com a divulgação do trabalho de artistas que marcam a história e a identidade das artes vi suais em Angola.








