Responsáveis de grupos carnavalescos sustentam que cenário vigente em Angola, caracterizado por falta de apoio do sector privado, os tem colocado numa situação de “mendigos”, com «lágrimas derramadas» sempre à porta da realização de uma edição do Entrudo. Em declarações a este jornal, afirmam que, fora das fronteiras do carnaval, não há rentabilidade financeira, apesar de existirem cerimónias para as quais muitos grupos têm sido contratados. Dizem que grupos carnavalescos não “aliciam” empresários
Responsáveis de grupos carnavalescos descrevem um quadro caracterizado de mendicidade, apontando o dedo às instituições públicas e privadas pelo estado de coisas.
Os principais grupos de Benguela, nomeadamente Bravos da Vitória, da Catumbela, e Bloco Amarelo, conjunto de Benguela, com cujos responsáveis este jornal esteve à conversa, defendem ser imperioso que se olhe para cultura, com destaque para o carnaval, de maneira diferente.
A título de exemplo, citam, recorrendo a cenários de outras geografias, que muitos grupos, para além do apoio do Estado, sobrevivem graças a vendas de seus emblemas estampadas em t-shirts, chapéus e outros “mimos”, conforme consideram.
Entretanto, a realidade angolana tem remetido o contacto entre grupos carnavalescos e o público ao mês de Fevereiro, altura que se realiza o entrudo, e a poucos eventos, nos quais são reservados momentos culturais, quer sejam realizadas por instituições públicas, quer por privadas, que, em muitos casos, os promotores não pagam, querendo actuações quase a título gratuito.
“O que se ganha não chega para nada”, reclama a responsável do Bloco Amarelo, Deolinda Trindade. A responsável é apologista de que se crie no país um mercado capaz de propagandear a imagem dos grupos carnavalescos.
Porém, para uma empreitada dessa natureza, exigir-se-ia aquilo a que convencionou chamar de apoio institucional do Estado. Diz ser possível os grupos andarem com os próprios pés, bastando apenas um “empurrãozinho”. Desta feita, enquanto não se olhar para essa realidade, os grupos continuarão relegados para uma situação de pedintes.
Por: Constantino Eduardo, em Benguela








