Realizado entre 14 e 16 do mês em curso, a 48ª edição do Carnaval de Luanda ficou, de uma forma ou de outra, marcada pelo seu diferencial em vários aspectos, entre os quais, a vitória de dois grupos estreantes, a visível participação massiva do público na era pós-covid, a presença de dezenas de turistas internacionais, bem como o ‘casamento perfeito’ entre a tradição e a inovação durante as exibições dos grupos carnavalescos
Com o Entrudo a arrancar justamente num dia em que o mundo celebrava o amor (14 de Fevereiro – “Dias dos Namorados”), o Carnaval de Luanda, edição 2026, consumou-se, mais uma vez, como uma das maiores e mais impactantes manifestações culturais do país. Pelo que se viu e viveu, o carnaval não foi apenas uma manifestação cultural, foi um ponto de reencontro, um espaço de comunhão e solidariedade, um palco de competição e rivalidade, um espaço de conscientização, bem como um local de projecção artística, cultural e turística.
Durante três dias, o Entrudo transformou, mais uma vez, a Marginal da Praia do Bispo numa praça artístico-cultural, um ponto turístico, um local de unidade e confraternização, um espaço de auto-empregabilidade (embora de forma temporária) e uma verdadeira paragem obrigatória no coração da cidade capital.
Milhares de pessoas provenientes de vários pontos da capital e de regiões vizinhas deslocaram-se à Nova Marginal para ver de perto, viver e vibrar com a “magia” do carnaval, onde os grupos foram os protagonistas de um autêntico espectáculo cultural. Com uma programação extensiva, o Entrudo juntou a tradição e a inovação no mesmo palco, dando espaço a criatividade e promovendo a liberdade de expressão artística.
Ao longo dos desfiles, era possível ver grupos que preservavam a tradição, trazendo figuras, rituais e gestos que fazem parte dos hábitos e costumes de determinadas regiões do país. O grupo União 544, por exemplo, homenageou no seu desfile a Mamã Bessangana, uma figura icónica que preserva as tradições do mar, com particularidade as Praias da Ilha do Cabo.
Já o União Recreativo Kilamba, no seu desfile, procurou combinar a tradição e a inovação, levando à pista uma singela homenagem ao músico Dionísio Rocha ao mesmo tempo que desfilava trajado de vestes e acessórios ligados às telecomunicações e às novas tecnologias. Ainda sobre homenagens, o grupo União 54 rendeu tributo às Mamãs Bessanganas, figuras femininas de realce da cultura luandense.
Entre ritmos do semba, cazucuta, cabecinha e a dizanda e cores que faziam uma perfeita combinação na pista, os conjuntos protagonizavam memoráveis espectáculos culturais, juntando o novo e velho, a tradição e a inovação, a criatividade e inovação com a matriz do habitual.
Os números do Carnaval
Nessa que foi a 48ª edição do Entrudo, foram cerca de 43 grupos a desfilar, repartidos em três classes, perto de 15 horas de desfile, mais de 8 milhões de participantes nacionais e perto de 50 turistas. O Entrudo envolveu ainda directamente cerca de 10 municípios (Kilamba-Kiaxi, Samba, Maianga, Viana, Cacuaco, Hoji Ya Henda, Mulenvos, Rangel, Sambizanga, Ingombotas), que foram representados pelos vários grupos participantes, e com um investimento financeiro, pelo menos em termos de premiações, de mais de 78 milhões de kwanzas.
Vencedores e vencidos prometem melhorias nas próximas edições
Tem-se dito popularmente que “equipa que ganha não se mexe”, entretanto, os grupos vencedores das diferentes classes do carnaval de Luanda apresentam uma filosofia diferente: garantem melhorar a performance nas próximas edições.
O grupo Recreativo Kilamba, por exemplo, apesar de ter vencido pelo quarto ano consecutivo o Entrudo na classe A, promete continuar a trabalhar arduamente para, no próximo ano, apresentar uma performance muito melhor do que a actual.
“Não vamos baixar a guarda, vencemos, sim, é bom, mas vamos continuar a trabalhar, trabalhar com a antecipação para fazer melhor na próxima edição”, disse à imprensa, Catarino Rodrigues, porta-voz do grupo, após a divulgação dos resultados.
Quem também prometeu trabalhar arduamente para melhorar a performance no próximo ano foi o presidente do grupo União Kiela, segundo classificado da classe B. Manuel de Lemos, que se mostrava inconformado com os resultados, disse que o seu grupo vai dar o melhor na próxima edição, trabalhando sobretudo a falange de apoio que foi o diferencial, o que fez “cair” diante do seu principal rival.









