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Carlos Ferreira “Cassé”:“As famílias não estão preocupadas com o papel da leitura, o que é muito mau”

Bernardo Pirespor Bernardo Pires
8 de Novembro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz
0
Tempo de Leitura: 2 mins de leitura
Carlos Ferreira “Cassé”:“As famílias não estão preocupadas com o papel da leitura, o que é muito mau”

Escritor, poeta, jornalista, cronista e letrista, Carlos Ferreira “Cassé” é uma figura incontornável da arte e da literatura nacional, que desde muito cedo esteve sempre ligado à música e às letras. Tem o seu ‘dedo’ ligado a dezenas de sucessos no mundo da literatura e da música. Nesta conversa com o jornal OPAÍS, Cassé, que foi recentemente reconhecido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Literatura, mostra-se preocupado com o fraco incentivo das famílias aos hábitos de leitura e aponta caminhos para a dinamização da cultura e da artes em Angola

É alguém que desde muito cedo esteve sempre ligado à literatura e a música, escrevendo te- mas para vários artistas que hoje são detentores de inúmeros sucessos musicais. Como surgiu esta intenção de dinamizar o sector das artes?

Na verdade, o princípio de tudo foi a rádio. Quer a literatura quer a composição para a música tu- do veio da inspiração jornalística enquanto radialista.

E como começa esse processo?

Antes da rádio, tive o privilégio de ter os pais que eram ligados à educação e à cultura.

Foram determinantes nesse começo?

Sim, claro, obviamente.

Até que ponto?

Minha mãe foi professora há mais de 50 anos e o meu pai sempre escreveu. Então, eu já tinha um ambiente cultural em casa desde miúdo que me proporcionava o acesso aos livros, a revistas, a música, ao teatro, ao cinema e às artes no geral.

Considera-se ter sido um privilegiado por crescer num ambiente de cultura?

Sim. Neste aspecto sempre fui privilegiado. E acho que foi um pouco por isso que, quando terminei o ensino secundário, tinha por aí 17 anos, ouvi falar de um concurso da rádio e fui me inscrever e assim comecei como estagiário.

E, quando chega na Rádio, a primeira pessoa com quem começa a trabalhar é o Eduardo Paim. Como foi essas experiência?

Exactamente, a primeira pessoa com quem trabalhei foi o Eduardo Paim. Trabalhei com ele por alguns anos. Nós tínhamos quase a mesma idade, se não me engano, e anos de- pois surge o Mamborró que foi a pessoa com quem trabalhei por mais tempo e tive a melhor experiência e parceria musical.

Desde sempre demonstrou, nas suas composições, uma especial atenção voltada ao público infantil. Por quê?

É importante antes esclarecer que a minha actuação, desde os tempos dos cantores “Pió”, não é propriamente voltada ao público infantil, mas sim ao infanto-juvenil. Ou seja, eu entro mais na fase de transição da infância para a adolescência.

Até que ponto?

Portanto, os artistas passavam pelas minhas mãos na fase dos 15, 16 aos 18 anos de idade, numa altura em que eles já tinham mais ou menos a consciência formada e com capacidade de discernir aquilo que eles realmente desejavam ser.

E porque desta selectividade?

A razão de me preocupar mais com as crianças, se posso as- sim considerá-las, nestas idades, é muito simples; é porque elas são aquilo que esperamos para o nosso futuro.

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