A artista angolana Bevy Jackson, que se prepara para celebrar 37 anos de carreira com um concerto especial, em entrevista ao Jornal OPAÍS, falou sobre os desafios de cantar jazz, fado, bossa nova e blues, num mercado dominado por outros géneros que têm maior apoio no país. Com concerto marcado para próxima Sexta-feira, 27, no Palácio de Ferro, Bevy reflectiu ainda sobre o preconceito em relação ao jazz e revelou de talhes do espectáculo comemorativo, que promete revisitar várias fases da sua carreira e reunir diferentes influências musicais
A sua carreira está mui to ligada ao jazz. Tendo em conta que mui tas vezes se diz que o jazz ainda não é um estilo mui to popular no país, quais têm sido os principais desafios ao longo desses 37 anos?
O maior desafio é, de facto, o preconceito que muitas pessoas têm em relação a estilos que não sejam aqueles que normalmente recebem mais apoio e mais divulgação, sobretudo por parte dos media, como jornais, revistas, televisão e rádio.
Estamos a falar de estilos como kizomba, semba, guerozouk e kuduro, entre outros, que acabam por ter muito mais exposição. Por isso, o maior desafio tem sido exactamente esse preconceito. Aliás, até como muitas vezes se fala do jazz demonstra isso. Quando alguém diz que “o jazz não é muito apreciado”, como acabou de afirmar, e percebi que não foi intencional, já exis te aí uma ideia preconcebida. Há muitas pessoas que ouvem jazz sem saber que estão a ouvir jazz e gostam. Esse é logo o primeiro preconceito.
Quando se afirma que o jazz não tem público, eu costumo convidar as pessoas que têm dú vidas a irem à Casa das Artes, ao Palácio de Ferro ou a outros es paços onde acontecem concertos de jazz.
Quem for a esses lugares percebe rapidamente que exis tem muitos apreciadores, que o público para este género musical tem crescido. Graças a Deus, há cada vez mais pessoas interessadas em ouvir jazz. Mesmo aqueles que dizem que não gostam, muitas vezes, estão a ouvir jazz e nem sabem, porque o jazz tem muitas vertentes.








