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Artistas cabo-verdianos consideram mercado angolano promissor e atractivo

Os músicos cabo-verdianos Beto Dias, Ana Lopez e Eunice Vieira consideram o mercado angolano bastante promissor e atractivo, com forte potencial, que tem impulsionado a expansão dos ritmos africanos noutros continentes, por isso manifestam o interesse em firmar os seus trabalhos na ‘terra da Kizomba e do Semba’

Bernardo Pires por Bernardo Pires
1 de Outubro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

Em declarações ao Jornal OPAIS, os três artistas consideram o mercado angolano como ponte para a afirmação no panorama musical internacional, quer a nível dos países de expressão portuguesa como de outras línguas, dentro e fora do continente africano.

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Ao falar para este jornal durante o festival da Kizomba, realizado no Sábado (28/09) na tenda do Centro de Conferências de Belas (CCB), Ana Lopez disse que pensa fazer uma música dedicada especialmente ao público angolano, assim como realizar um videoclipe em solo nacional para expressar a sua gratidão pelo modo como os seus trabalhos têm ganhado espaço no mercado e no coração do povo de Angola.

“Penso, em primeiro lugar, em lançar uma música aqui e também fazer um videoclipe a oferecer especialmente aos angolanos o meu trabalho”, adiantou a autora do sucesso “Nha príncipe”.

A artista, que veio a Luanda pela terceira vez, afirmou que se tente em casa e bastante acolhida pelo público e pelos artistas angolanos, prometendo que muito em breve vai colocar no mercado um trabalho exclusivamente dedicado a Angola, narrando as suas riquezas culturais e o carinho do seu povo.

Já Eunice Vieira, que é uma cantora com mais anos de estrada que Ana Lopez, e que também já está habituada com o público angolano, frisou que tem Angola como sua segunda pátria, onde já esteve presente por várias vezes ao lado dos seus compatriotas Beto Dias e Suzana Lubrano, acrescentando que tem recebido do público angolano muito carinho e empatia pelos seus trabalhos.

“Mesmo depois de tantos anos sem vir a Angola, são quase 20 anos, sinto do público uma alegria contagiante, uma recepção calorosa, é como se estivesse em casa, para mim é muito gratificante, só tenho a agradecer este público maravilhoso”, disse a artista.

De Kizomba para Reggae Autora de sucessos como “Sodade”, “Bem-amada”, “Traição” e “Curtição”, Eunice Vieira fez saber que nos 20 últimos anos tem procurado deixar de parte a Kizomba e apostar um pouco mais no reggae, um gênero musical que diz ter-se identificado muito consigo desde que decidiu experimentar, isto em 2004.

Apesar de ser conhecida em Angola pelos grandes sucessos no estilo Zouk, a artista cabo-verdiana quer se afirmar no mercado internacional como fazedora de reggae, um gênero que considera ser mais profundo, introspectivo e que lhe vem da alma.

“Nos últimos anos eu tenho me dedicado mais ao estilo reggae. Já tenho vários álbuns que lancei nos últimos anos e praticamente a kizomba é mais para reviver os velhos tempos, porque a minha ‘vybe’ agora é mais o reggae”, adiantou a artista.

Enquanto artista de reggae, Eunice adoptou a alcunha “Nish Wadada”, e tem realizado concertos por vários países da Europa, América do Norte e em diferentes pontos de Cabo-Verde, seu país, apesar de viver por muito tempo na Holanda, onde ganhou paixão pelo reggae por influência do seu amigo e produtor Dilidel Touch.

Beto Dias quer promover novos trabalhos

Por sua vez, o músico Beto Dias, que já é conhecido, querido e agraciado pelo público angolano, quer promover os seus novos trabalhos no mercado musical de Angola, onde já conta com milhares de fãs e apreciadores do seu trabalho.

O artista, que já carrega consigo 35 anos de carreira musical, disse ao “OPAÍS” que lançou, recentemente, uma música nova, que já faz sucesso em CaboVerde, e que pretende compartilhar com o público angolano para se juntar aos vários “hits” que já conquistaram os corações dos angolanos.

“Eu tenho uma música nova que o título é ‘Bo Ki Ta Dan, já lancei há três meses, está a fazer sucesso em Cabo-Verde, mas infelizmente aqui [em Angola] ainda não tocou e, portanto, quero partilhar com este público para que também conheçam”, avançou o músico de 53 anos de idade e que este ano se prepara para celebrar 36 anos de carreira.

Autor de inúmeros sucessos como “Ki Vida”, “Sin Sabeba”, “Até um dia”, “Nós 2”, “Vitima de Paixão”, “Vale Pena” e outros, Beto Dias destacou o carinho que o público angolano tem demostrado para consigo e sublinhou que, sempre que fizer um trabalho novo vai procurar trazer a Angola para partilhar com os seus fãs e o público em geral.

De salientar que Beto Dias, Ana Lopez e Eunice Vieira foram os artistas cabo-verdianos convidados para a 4ª edição do Festival da Kizomba, juntamente com os angolanos Maya Cool, Érika Nelumba e Moniz de Almeida, os afro-franceses Eric Virgal e Harry Diboulla e o sãotomense Juka.

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