Numa altura em que decorrem as festividades dos 450 anos da Cidade de Luanda, para o actor Manuel Teixeira, falar de práticas que promovem a cidadania no seio da sociedade é mais que necessário. E é neste quesito que, para si, o teatro deve ser visto como uma excelente via de comunicação e consciencialização da sociedade
Popularmente conhecido no cenário artístico como “Avô Ngola”, personagem que vem interpretando em várias cenas de televisão e no teatro, Manuel Teixeira é visto por muitos como uma figura exemplar cujos trabalhos têm servido de referência na promoção de valores sociais e culturais, bem como de cidadania. Ao falar em exclusivo para o jornal OPAÍS a respeito das celebrações do 450.º aniversário da cidade capital, o experiente actor destacou o importante papel que o teatro tem na moralização da sociedade e lamenta de certa forma a ausência desta arte naquilo que são actividades artísticas que decorrem nesta festividade. Para si, o teatro sempre tem sido visto como um veículo assertivo de comunicação que tem ajudado na educação da sociedade, apelando à mudança de comportamentos e atitudes.
O experiente actor entende que, para se ter uma Luanda cada vez mais limpa, mais harmoniosa e com os valores de cidadania a serem respeitados, é preciso que se continue a apostar no teatro como veículo de comunicação e de consciencialização de forma certeira. “É preciso continuar a apostar no teatro, apostar em pequenas peças televisas que apelam pela mudança de comportamentos e nisto o Avô por exemplo é uma figura exemplar e já conhecida pela nossa sociedade”, observou o actor.
Manuel Teixeira revela que às vezes é chamado pelos próprios cidadãos em actividade comunitárias para dar palestra e aconselhar a juventude a mudar de comportamento. Sublinha que tem sido regulamente convidado em debates televisivos e não só para falar sobre cidadania tudo por conta do personagem que já é vista como referência na nossa sociedade.
“As pessoas, quando vêem o Avô Ngola, por exemplo, procuram mudar de postura e comportamento, alguns até vêm até mim a se justificar a dizer que fez, não fez, e coisa parecida, ou seja, elas vêem em mim um fiscal das boas práticas e isso já me enche de orgulho”, disse. O actor sente-se um pouco entristecido pelo facto de o teatro não estar na lista de actividades que decorrem durante as festividades da cidade capital, uma vez que a arte tem ajudado na moralização dos luandenses.
Apela aposta no Teatro Comunitário
Outra maneira de promover as boas práticas de cidadania recomendada pelo actor é a aposta no teatro comunitário. “A aposta deve ser feita no teatro comunitário para o desenvolvimento das comunidades e mudança de comportamentos”, defendeu o actor. Acrescentou que “colocando o teatro nos mercados, nos lugares onde há aglomeração de pessoas isso ajuda a disseminar a informação”, reforçou.
Campanha de prevenção de acidentes com engenhoexplusivos
Manuel Teixeira reconhece, por outro lado, o valor que tem sido dado ao teatro pelo Estado, tornando-o numa ferramenta indispensável na consciencialização da população e apela à continuidade desta aposta. Ainda neste âmbito, revelou que o seu grupo teatral “Julo” está a trabalhar em peças televisivas sobre campanhas de prevenção de acidentes com minas e engenhos explosivos não detonados que têm ceifado muitas vidas em várias partes do país.
“A campanha não é nova, já temos trabalhado nela várias vezes, e desta vez nós estamos a dar continuidade a esta campanha porque tem havido muitos acidentes com engenhoexplusivos envolvendo sobretudo crianças”, adiantou.
Protagonizada especialmente pelos personagens Avó Ngola e a menina Vissolela, a campanha é uma iniciativa da ONG britânica The Halo Trust, em parceria com a Agência Nacional de Acção contra as Minas (ANAM), a serem realizadas sobretudo na região sul, leste e centro-sul do país, que são as zonas mais afectadas com estes incidentes.
Avançou ainda que o grupo continua empenhado no projecto de formação artística de jovens e crianças com o propósito de descobrir ou lapidar novos talentos na arte da representação.









