O Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) está a reforçar a capacidade de Angola para o diagnóstico e investigação de doenças que representam ameaças à saúde pública, com destaque para a resposta à Mpox.
Desde o início do surto, em Abril de 2026, o INIS tem assegurado o diagnóstico laboratorial de amostras de casos suspeitos provenientes de diferentes províncias, no âmbito da resposta coordenada pelo Ministério da Saúde.
No laboratório, as amostras são analisadas para confirmar ou excluir a presença do vírus. Os resultados são posteriormente comunicados às autoridades de saúde, para apoiar a investigação dos casos e contactos, a vigilância epidemiológica e a adopção das medidas de controlo necessárias.
Além da confirmação laboratorial, o INIS realiza a sequenciação genómica, técnica que permite caracterizar geneticamente o vírus e comparar amostras recolhidas em diferentes pessoas, locais e momentos.
Segundo a Directora-Geral do INIS, Dra. Joana de Morais, as análises realizadas pelo Instituto demonstraram que os vírus de Mpox identificados em Angola não apresentam todos as mesmas características genéticas.
A informação obtida permite aprofundar o conhecimento sobre a circulação do vírus no país e apoiar a investigação de possíveis relações entre casos registados em diferentes zonas, incluindo a análise de diferentes cadeias de transmissão e eventuais entradas do vírus a partir de outras geografias.
Os resultados laboratoriais são analisados em conjunto com os dados epidemiológicos recolhidos pelas equipas de saúde no terreno. O trabalho contribui para acompanhar a evolução do surto e reforçar a vigilância, particularmente nas zonas fronteiriças e em áreas com maior circulação de pessoas.
Formação de profissionais
Paralelamente ao diagnóstico, o INIS tem contribuído para o reforço das competências dos profissionais envolvidos na resposta à Mpox, sobretudo nas áreas do diagnóstico e da vigilância laboratorial.
Entre as acções previstas estão formações dirigidas aos profissionais da linha da frente, com enfoque em biossegurança, identificação e recolha correcta de amostras, processamento laboratorial, acondicionamento, embalagem e transporte seguro do material biológico.
Segundo a Direcção-Geral do INIS, estes procedimentos são fundamentais para proteger os profissionais, reduzir o risco de contaminação e assegurar que as amostras chegam ao laboratório de referência em condições adequadas para produzir resultados fiáveis.
O trabalho desenvolvido pelo Instituto permite estabelecer uma ligação entre a recolha de amostras, o diagnóstico, a investigação e a produção de informação científica para apoiar a resposta das autoridades sanitárias.
A capacidade de realizar diagnósticos no país assume particular importância em situações de emergência, ao permitir encurtar o intervalo entre a suspeita de uma doença, a confirmação laboratorial, a investigação epidemiológica e a adopção de medidas de controlo.
A resposta à Mpox evidencia, assim, uma das funções do INIS no Sistema Nacional de Saúde: produzir conhecimento científico a partir das amostras recolhidas no território nacional e transformar essa informação em dados úteis para a resposta de saúde pública.
Para a Dra. Joana de Morais, o diagnóstico, o estudo das características do vírus, a formação dos profissionais e a partilha de informação com as autoridades de saúde são acções através das quais o Instituto contribui para compreender a evolução do surto e apoiar a tomada de decisão do Ministério da Saúde.
O fortalecimento do INIS enquadra-se na aposta na melhoria das capacidades nacionais de prevenção, diagnóstico, vigilância e resposta às doenças e emergências de saúde pública.












