Os directores pedagógicos e responsáveis pela formação de unidades hospitalares das 21 províncias de Angola estão em Portugal, onde participam numa formação teórico-prática destinada a reforçar as competências de diagnóstico de necessidades, planificação, gestão, acompanhamento e avaliação de projectos de formação em saúde.
A formação enquadra-se no Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), financiado pelo Banco Mundial e implementado pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES), por intermédio da Unidade de Implementação do PFRHS (UIP-PFRHS).
Os profissionais foram acolhidos em Portugal a 29 de Agosto de 2026 e permanecem no país no âmbito de um programa que combina conteúdos teóricos, experiências práticas e acompanhamento in loco das actividades desenvolvidas pelas instituições parceiras.
Ao longo da formação, os participantes aprofundam conhecimentos relacionados com o diagnóstico das necessidades institucionais, definição de critérios de formação, elaboração e planificação de projectos, bem como acompanhamento e avaliação dos processos formativos.
A componente prática permite ainda aos participantes conhecer metodologias e instrumentos de gestão da formação em saúde, com vista à sua posterior aplicação nas respectivas unidades hospitalares, tendo em conta a realidade angolana.
Para Flaviano Garcia Za Nzambi, Director Pedagógico do Instituto Hematológico, os conhecimentos adquiridos têm aplicação directa nas funções desempenhadas pelas estruturas pedagógicas das instituições de saúde.
O responsável considera que os conhecimentos adquiridos deverão ser disseminados no regresso a Angola, contribuindo para uma abordagem mais estruturada dos processos de formação de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e outros profissionais de saúde.
A capacidade de multiplicação do conhecimento constitui uma das dimensões da formação, uma vez que os participantes deverão levar para as instituições angolanas novas ferramentas e metodologias para apoiar as equipas pedagógicas e científicas.
No Hospital Comandante Raul Díaz Argüelles, no Cuanza Sul, a Direcção Pedagógica acompanha actualmente profissionais integrados em diferentes processos de formação.
A médica ginecologista-obstetra e Directora Pedagógica da instituição, Sónia da Silva, explicou que o hospital conta actualmente com 85 médicos internos, 134 enfermeiros internos e cerca de 130 técnicos de diagnóstico e terapêutica.
Segundo a responsável, os conhecimentos adquiridos em Portugal poderão contribuir para melhorar a organização, o acompanhamento e a avaliação dos processos de formação.
Por sua vez, Gade Miguel, Director Científico do Complexo Hospitalar de Doenças Cardiorrespiratórias Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP), considera que o investimento na formação deve acompanhar a expansão e modernização da rede sanitária nacional.
O responsável destacou que a formação especializada tem permitido responder progressivamente a necessidades concretas das unidades e do Sistema Nacional de Saúde, incluindo áreas de elevada diferenciação.
Entre os exemplos apontados está a cirurgia cardíaca pediátrica, área em que o reforço da formação de especialistas contribuiu para ampliar a capacidade assistencial do país. Segundo Gade Miguel, em cerca de dois anos de actividade foram realizadas aproximadamente 300 cirurgias em crianças.
O processo formativo contribuiu igualmente para aumentar o número de cirurgiões capacitados nesta área. “É um sentimento de realização ver crianças que chegam com problemas complexos e que, depois de tratadas, podem voltar a sorrir”, disse.
Para o especialista, o próximo desafio passa por consolidar serviços cada vez mais completos, integrando médicos, enfermeiros, técnicos e profissionais de apoio numa cadeia de atendimento capaz de proporcionar ao doente uma experiência mais segura, eficiente e humanizada.
No Hospital Central de Cabinda, o Director Pedagógico e Científico, Carlos de Nascimento Casimiro, destacou a responsabilidade das estruturas de formação na organização e coordenação dos processos formativos.
Segundo o responsável, além de coordenar as actividades pedagógicas da unidade hospitalar, a estrutura acompanha também a actividade formativa do polo de formação, que abrange profissionais de diferentes unidades e províncias.
Actualmente, o polo acompanha cerca de 260 internos em formação, distribuídos por 38 especialidades, realidade que, segundo Carlos de Nascimento Casimiro, reforça a necessidade de dotar os responsáveis pedagógicos de ferramentas adequadas para a gestão dos processos formativos.
O responsável destacou igualmente a dimensão internacional da formação apoiada pelo PFRHS, com profissionais angolanos a darem continuidade à formação no exterior, nomeadamente em Portugal e no Brasil.
A formação dos directores pedagógicos e responsáveis pela área de formação procura, assim, reforçar a capacidade das próprias instituições angolanas para organizar, acompanhar e avaliar os processos de qualificação dos seus profissionais.
Ao regressarem ao país, os participantes deverão apoiar as equipas pedagógicas e científicas, contribuir para a identificação das necessidades de formação e aplicar ferramentas de planificação, acompanhamento e avaliação nas respectivas unidades.
A iniciativa integra a componente de cooperação internacional do PFRHS, que tem permitido a profissionais angolanos frequentarem programas de formação e especialização em diferentes áreas e instituições, com destaque para Portugal e Brasil.












