Em entrevista concedida ao jornal OPAÍS, a jurista e antiga ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van-Dúnem, partilha memórias da sua infância entre Luanda e o Sumbe, reflectindo sobre o impacto familiar das tragédias do 27 de Maio de 1977 e o seu percurso na magistratura. A partir da sua experiência e de regresso ao país para o II Congresso Nacional de Magistrados Judiciais, realizado recentemente pela Associação de Juízes de Angola, na cidade do Lubango, aborda os desafios do sector da Justiça, a relevância da ética e da formação de quadros, bem como a sua visão sobre as transformações de Luanda e o potencial da juventude no futuro do país
A Dra. Francisca VanDúnem nasceu em Luanda, em 1955. Que Angola guarda na memória a Francisca VanDúnem criança? Eu nasci de facto em Luanda, mas fui muito nova para o Sumbe [província do Cuanza-Sul].
O meu pai era funcionário judicial e foi transferido para o Sumbe. E, portanto, eu vivi no Sumbe cerca de quatro anos, sendo que, quando regressei a Luanda, já teria cinco anos, pelo menos.
E, de facto, Luanda era uma cidade bastante mais pequena daquilo que é hoje, ou daquilo que era em 1975, na altura da independência.












