Determinados marinheiros têm, constante mente, ‘fintado’ as autoridades e têm-se feito ao mar sem a observância das normas, facto que, segundo o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, Leilande da Costa, tem resultado em acidentes marítimos que resvalam em mortes, em caso de naufrágios de embarcações. As Pescas prometem reforçar os mecanismos de fiscalização marítima na costa e evitar que alguém se faça ao mar sem instrumentos de segurança
As autoridades, em Benguela, manifestam-se preocupadas face aos casos de mortes que, nos últimos tempos, se têm vindo a registar nos mares da província, geralmente ocorridos na sequência de naufrágios de embarcações, quer sejam artesanais, quer semi-industriais. Dentre outros factores, o Governo aponta a negligência por parte de muitos marinheiros como estando na base.
Ainda é notória — conforme esclarecem as autoridades — a presença de pescadores no mar sem o cumpri mento rigoroso das regras preestabelecidas pelas autoridades responsáveis pela Fiscalização das Pescas e, também, a inobservância das normas da Capitania do Porto do Lobito, na perspectiva de garantir a segurança marítima.
Os últimos acontecimentos, que ceifaram a vida a quatro marinheiros, na travessia Egipto-Praia/Baía-Farta, soaram como um alarme de preocupação para o Governo Provincial, daí que o director da Agricultura e Pescas, Lei lande da Costa, tenha assegurado, em declarações a este jornal, o reforço das medidas de fiscalização nos mares de Benguela. Leilande da Costa é o rosto do Governo de Benguela, que lamenta o registo de acidentes marítimos que causaram a morte de dezenas de cidadãos, sobretudo nos últimos meses.
De modo a evitarem-se mais acidentes, Costa apela aos marinheiros ao cumprimento das orientações das autoridades que actuam no mar, “porque cada um tem as suas distintas funções”, refere, ao lembrar que “a nós, Pescas, cabe a fiscalização de to do e qualquer acto relacionado com a actividade de pesca”.
Porém, segundo disse, há uma autoridade cuja actividade principal é a de garantir a segurança da navegação marítima, nas circunstâncias, a Capitania. A sua instituição, por via da área de Fiscalização, em função dos constantes casos de mortes, vai andar de mãos dadas com a Capitania, a fim de que se inverta esse quadro.
De acordo com o responsável, para garantir que haja menos acidentes, reforçar-se-ão as inspecções antes de os barcos se fazerem ao mar. Promete, por isso, impor rigor na atribuição de licenças de pesca, no sentido de que os marinheiros cumpram todos os aspectos relativos à segurança. Ele assume que, em muitos casos, deter minados pescadores tendem, regular mente, a “fintar as pescas”.
Ou seja, “no dia da inspecção, apresentam um colete salva-vidas, remos, GPS… Mas, no dia em que ele for à pesca, não leva nada disso. Portanto, é um exercício que continuamos a fazer, no sentido de manter conversa com eles, no sentido de lhes garantir segurança e evitarmos este tipo de comportamento”, considera.
Casos recentes de mortes soam alarme Dados em posse deste jornal, fazendo fé nos dados das autoridades, atestam que, nos últimos dois meses, morreram nos mares cerca de dez pessoas.
Recentemente, quatro marinheiros desapareceram (e dados como mortos), em consequência do naufrágio da embarcação de pesca em que se guiam, entre o Egipto Praia e a Baía Farta, ocorrido em circunstâncias consideradas estranhas, até porque as condições climáticas eram favoráveis à navegação. A embarcação de pesca semi-indus trial em que seguiam é propriedade da companhia Sede, implantada na vila piscatória da Baía Farta. No bar co, encontravam-se acondicionadas cerca de 40 toneladas de pescado.
É certo que a embarcação transportava 20 toneladas a menos em relação à sua capacidade (60 toneladas), mas, tal como convergem um especialista em pesca e fonte da Capitania — Delegação Marítima de Benguela, a arrumação da mercadoria exige habilidade. Outra possibilidade, segundo os levantamentos, é a de uma fuga pela qual terá entrado água. Os municípios dos Navegantes, Baía Farta e Benguela são os mais afectados.
Por: Constantino Eduardo, em Benguela












