O Programa de Fortalecimento da Protecção Social (Kwenda) já cadastrou mais de 40 mil pessoas no município do Cassongue, província do Cuanza Sul, desde a sua implantação, em 2023, perfazendo um total de mais de mil agregados familiares.
Além disso, ontem, cinco cooperativas beneficiaram de meios agrícolas para alavancar a agricultura na região, depois de terem recebido sete milhões de kwanzas cada, inicialmente, para arrancar com a caixa comunitária.
A directora provincial do Instituto de Desenvolvimento Local (FAS), Carolina Sanito, à margem da entrega dos meios agrícolas às cooperativas, lembrou que o processo na localidade do Cassongue começou em 2023, com o cadastramento das famílias, tendo sido registadas mais de quarenta mil pessoas ou mil agregados familiares.
Depois do cadastramento das famílias, vieram as transferências sociais monetárias, que correspondem à fase de entrega de valores às famílias. Mais tarde, começaram a trabalhar na organização de algumas famílias para a constituição das cooperativas, tendo sido formadas, legalizadas e merecido um trabalho de acompanhamento das suas actividades. Receberam financiamento para as caixas comunitárias.
“E hoje estamos aqui para dar mais um passo, cumprindo mais um objectivo, que é entregar meios de produção para que os membros das cooperativas possam produzir mais e melhorar o rendimento das suas famílias. Por isso, queremos que olhem para os materiais que estão a receber hoje como uma oportunidade que precisa de ser transformada em trabalho, produção e rendimento”, disse Carolina Sanito.
De acordo com a directora provincial do Cuanza Sul, a sua equipa chegou até esta fase porque as cooperativas demonstraram que é possível, têm conhecimento e acompanham o trabalho desenvolvido pelas mesmas. Pelo facto, sabem que não tem sido fácil, tendo em conta os desafios que as cooperativas enfrentam quando a produção não corre como esperado, entre outras dificuldades.
Porém, têm igualmente visto muitas melhorias, considerando que têm famílias que começaram com pouco e, actualmente, já conseguem produzir, vender, gerar trabalho e rendimento. Outras pessoas aprenderam a trabalhar em grupo.
“Há exemplos de membros que recorreram às caixas comunitárias, utilizaram os recursos, desenvolvem as suas actividades e reembolsam o dinheiro, permitindo que outros também tenham acesso. Isto é muito importante, porque uma caixa comunitária funciona quando existe confiança, responsabilidade e preocupação de cada um com as coisas colectivas”, disse Carolina Sanito.
Referiu que, quando começou a caixa comunitária, cada uma recebeu sete milhões de kwanzas e, por agora, há cooperativas que estão prestes a atingir mais de 10 milhões de kwanzas. Alertou que é um recurso importante, mas não é um dinheiro para ser distribuído de qualquer maneira ou sem responsabilidade.
“Quando um membro que recebe o dinheiro na caixa comunitária devolve, ele está dizendo: ‘Eu tive uma oportunidade e quero que outra pessoa também tenha esta oportunidade’, demonstrando, desta forma, um espírito colectivo. Mas, quando alguém recebe e não devolve, está a tirar a oportunidade de outra pessoa da sua própria comunidade.”
Carolina Sanito disse ainda que a cooperativa deve ser cuidada e compreendida como um espaço de todos os seus membros, não devendo deixar que a cooperativa seja responsabilidade apenas do presidente, tesoureiro, secretário ou de algum grupo restrito de membros.
Sendo essencial continuarem a trabalhar juntos, promover encontros, serem tranquilos e transparentes na gestão, tendo em conta que a transparência é também uma forma de proteger a própria cooperativa.
Quanto aos meios recebidos, Carolina Sanito pediu que cuidem, aumentem a produção e continuem a participar de todas as formações para as quais forem convocados. Continuem também a utilizar correctamente o dinheiro das caixas comunitárias e aqueles que recebem valores assumam a responsabilidade de devolvê-los. Considerando que, no Cuanza Sul, há bons exemplos destas práticas, de igual modo, esperam que os contemplados consigam transformar aquilo que começou como um apoio numa actividade que responda ao verdadeiro sentido de aprender, produzir, gerar rendimentos e caminhar para a autonomia económica das famílias.
Reafirmou a responsabilidade do FAS de continuar a acompanhar, ouvir as dificuldades, orientar e ajudar a encontrar soluções. Mas o sucesso depende principalmente dos membros das cooperativas. Neste contexto, apelou a que tirem o maior proveito desta oportunidade e façam destes meios instrumentos de trabalho, tornem as cooperativas mais fortes e façam das caixas comunitárias instrumentos de crescimento, assim como incentivarem o surgimento de famílias com mais rendimentos e comunidades com mais capacidade de produzir.
Entrega de meios agrícolas acontece no momento certo
De acordo com o administrador municipal do Cassongue, Inácio Buta Tito, a entrega de meios agrícolas acontece no momento certo, pois a campanha agrícola 2026/2027 começa agora, no mês de Setembro, e os agricultores, felizmente, estão a ser reforçados com instrumentos de trabalho.
De igual modo, este acto demonstra um passo fundamental para impulsionar o desenvolvimento económico e social, especialmente para as comunidades rurais, visto que contribui para vários factores, dentre os quais o aumento da produtividade, uma vez que, com acesso a equipamentos e insumos, as cooperativas conseguem trabalhar a terra de forma mais eficiente, o que aumenta o volume da colheita e também a qualidade dos produtos.
Também garantem a segurança alimentar, porque fortalecem a produção local, o país torna-se menos dependente de importações e garante que haja mais comida disponível para a população e a preços mais acessíveis. De igual modo, melhora a geração de empregos e renda. Quando as cooperativas forem mais equipadas, tornam-se empresas mais fortes, isso cria postos de trabalho directos e indirectos, ajudando a combater a pobreza e a melhorar a qualidade de vida das famílias, dos cooperados e não só.
Outro benefício é o fortalecimento do associativismo, visto que, quando o Estado ou parceiros apoiam as cooperativas, incentivam a união de produtores. É mais fácil e barato comprar e vender em grupo do que tentar fazer tudo sozinho.
Inácio Buta Tito concluiu que o acto não representa apenas a entrega de meios, mas sim a entrega de uma oportunidade de crescimento e autonomia para quem trabalha a terra, uma estratégia directa para combater a fome e promover o desenvolvimento local e sustentável.
A prova inequívoca de que o Executivo angolano, liderado pelo Presidente João Lourenço, está preocupado com os problemas que afectam as populações e as nossas comunidades e, aos poucos, se vai cumprindo com o slogan do saudoso Presidente António Agostinho Neto, segundo o qual o mais importante é resolver os problemas do povo.





