A governadora da província do Cunene destacou, durante a apresentação das infraestruturas do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PSESA), o impacto das obras em curso na melhoria do acesso à água e na redução dos efeitos da seca sobre as populações do sul do país.
Segundo a governadora, durante anos, a seca constituiu uma das maiores adversidades enfrentadas pelas populações do sul de Angola, afectando as suas vidas, a produção agrícola, a criação de gado e o acesso diário à água.
“Mais do que a ausência de chuva, foi uma realidade que condicionou vidas, limitou a produção agrícola, fragilizou a criação de gado e transformou o acesso à água numa luta diária”, afirmou.
A responsável lembrou que, perante esta realidade, o Executivo lançou, em 2019, o PSESA, concebido para criar soluções duradouras para os efeitos da seca e estabelecer novas condições para o desenvolvimento das comunidades afectadas.
De acordo com a governadora, o programa representa uma das maiores intervenções de gestão hídrica realizadas em Angola e assenta em cinco pilares fundamentais: captação, transporte, armazenamento, tratamento e distribuição de água.
O PSESA, acrescentou, representa um investimento global superior a 4,2 mil milhões de dólares e abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe.
No Cunene, a governadora destacou o Sistema CAFU, integrado no Projecto Cunene I e inaugurado em 2022. A infraestrutura transfere água do rio Cunene através de uma rede com 165 quilómetros de canais adutores e uma estação elevatória com capacidade de dois metros cúbicos por segundo.
Segundo os dados apresentados, o sistema beneficia mais de 235 mil pessoas, garante água para 250 mil cabeças de gado e permite a irrigação de 15 mil hectares de áreas.
Outro marco apontado foi o Sistema de Abastecimento de Água do Chitadu, que entrou em funcionamento em 29 de Abril de 2026. A infraestrutura capta água do rio Cunene e integra 5,9 quilómetros de rede adutora, 6,6 quilómetros de rede de distribuição, cerca de duas mil ligações domiciliares e 59 chafarizes.
O sistema dispõe ainda de dois reservatórios com capacidade total de quatro mil metros cúbicos, um reservatório elevado com 500 metros cúbicos, duas estações elevatórias e três bebedouros para o gado.
Com um investimento de 57,6 milhões de dólares, a infraestrutura, segundo a governadora, abastece mais de 50 mil pessoas e garante água para mais de duas mil cabeças de gado.
O conjunto de infraestruturas deverá ultrapassar os 300 quilómetros de redes adutoras e contar com uma capacidade de armazenamento de 36 mil metros cúbicos.
A governadora destacou também a construção de sete pequenas barragens destinadas a contribuir para a recarga do lençol freático e ampliar o alcance das intervenções contra os efeitos da seca.
Para a responsável, as infraestruturas representam mais do que obras de engenharia, por contribuírem para criar maior segurança e estabilidade e abrir caminho para o desenvolvimento das comunidades.
A intervenção da governadora ocorreu no âmbito da apresentação das barragens de Ndúe e Calupuve e dos respectivos canais associados, integrados no PSESA.





