Foi no Malueca, no Cazenga, onde encontrámos Isabel da Silva, conhecida artisticamente como Dyú Art, de 25 anos, que, apesar das limitações do local onde reside, se recusou a deixar que o bairro definisse até onde poderia chegar. Na arte da aerografia, a artista não viu apenas uma forma de sobrevivência, mas também uma possibilidade de mudar a vida da sua família. A artista afirma estar entre as mulheres que melhor dominam a técnica no país, chegando a considerar a possibilidade de ser uma das primeiras a destacar-se na execução de um mural com a dimensão e a qualidade do trabalho que realizou
Isabel da Silva cresceu nu ma área sem energia pública, água potável, escolas ou oficinas de arte e num ambiente em que adolescentes podem entrar, desde cedo, no mundo da prostituição e da delinquência, por escolha ou falta de oportunidades.
A rua, como descreve, parecia uma selva e dentro de casa havia outros desafios. A jovem amadureceu sem a presença de um pai que assegurasse as necessidades da família, depois de este ter escolhido viver com a segunda mulher e deixado de contribuir para o sustento dela e dos irmãos. A sua mãe, vendedora de peixe, há cerca de 30 anos, assumiu grande parte dessa responsabilidade.
Texto de Musseque Segunda
fotos de Carlos Moco





