A formação assume um papel fundamental no com bate ao desemprego, no aumento da empregabilidade e na diversificação da economia. Nas últimas duas décadas, verificou-se um crescimento significativo do número de pessoas que procuram formação, sobretudo no ensino superior. Até ao final da década de 1990, o país contava essencialmente com uma única universidade, a Universidade Agostinho Neto.
A partir de 2000, assistiu-se a uma proliferação de instituições de ensino superior, fenómeno que teve um papel importante na formação de quadros para o país. A questão que se coloca é: estamos realmente a formar profissionais para responder às necessidades do mercado de trabalho ou esta mos simplesmente a formar pessoas para obter certificados? A questão não está no certifica do.
O diploma ou certificado é importante e representa o reconheci mento formal de um determinado percurso formativo. O problema surge quando o certificado passa a ser considerado o resultado final da formação, em vez de ser a consequência de um processo que desenvolveu conhecimentos, com petências, actitudes e capacidade de aplicação prática.
Uma formação profissional de qualidade não pode ser avalia da apenas pelo número de pessoas formadas ou certificadas. É necessário saber o que essas pessoas conseguem fazer com aquilo que aprenderam. Uma formação orientada para as necessidades do país exige a participação de diferentes actores: Esta do, instituições de ensino, empresas e o próprio formando.
Cabe ao Estado definir políticas públicas de educação e formação profissional, criar mecanismos de financiamento, regular o sistema, garantir padrões de qualidade e avaliar os resultados dos programas implementados. Mas é igual mente importante que exista uma articulação entre as políticas de formação e as políticas de desenvolvimento económico e social.
As instituições de ensino também têm uma responsabilidade incontornável. É necessário actualizar os currículos de acordo com a realida de do país e com as transformações que ocorrem no mundo do traba lho.
O conhecimento evolui rapidamente, a tecnologia transforma profissões e novas competências são constantemente exigidas. Não podemos continuar a formar profissionais com currículos que não dialogam com os problemas concretos das empresas, das comunidades e da sociedade.
Por: FRANCISCO AUGUSTO





