A superficialidade no ensino de texto, nas aulas de língua portuguesa, aniquila ou priva os discentes a treinar o raciocínio e desabilita-os a fazer comparação do mundo que os rodeia. O ensino da gramática normativa não deve ser feito de modo a de- sassociá-lo de um texto, visto que é nele onde são aplicadas todas as normas aprendidas. Os professores, que lidam com a língua portuguesa, não têm ape- nas a responsabilidade de ensinar o funcionamento da língua ou passar o conhecimento explícito aos discentes no aprimoramento da oralidade, mas também da escrita e fazer com que haja uma abrangência cognitiva, ou seja, os professores devem ensinar a pensar na mesma língua.
Para além de leques de princípios/ normas— que os discentes não aplicam com rigor, assim que regressam para às suas casas ou para os seus bairros —, o ensino de texto deve ganhar um lugar preponderante, já que nele são desenvolvidas capacidades compreensivas, interpretativas, comparativas e, partindo de pressuposto de que um texto nasce através de um outro já existente, recorrer-se-á à correlação textual para uma boa compreensão que descreverá o contexto e o porquê da sua produção.
Não se pode esperar por um resultado satisfatório nas provas de língua portuguesa, sempre que se pede aos discentes a compreensão e interpretação do texto, se não começar, durante as aulas, o profes- sor desmistificar o que é e como se deve proceder com a compressão de excerto tampouco a interpretação, porque ninguém interpreta (a menos que o faça desajustadamente) o que não compreendeu.
Em que adianta ensinar amontoadas regras gramaticais (o emprego de artigos ou determinantes, adjectivos, substantivos e toda flexão, conectores discursivos, sintaxe, semântica ou pragmática), se, na verdade, os discentes não conseguem os identificar dentro de um texto nem os aplicar para produção textual? É, precisamente, aqui onde o texto deve ser visto como elemento indispensável no ensino das normas gramaticais ou do conhecimento explícito da língua para, depois de se ter o domínio da sua aplicabilidade, sirva como um instrumento crucial no desenvolvimento reflexivo, comparativo e crítico do mundo onde está inserido.
É no texto que eles também perce-berão que as palavras, para além do significado isolado que têm, quando são manuseadas dentro de um texto, ganham uma outra semântica e o texto não só traz o que o autor quer dizer objectivamente, mas, num pano de fundo, há outras ideias que devem ser tidas em conta. Se ainda continuamos a ter atro- cidades, depois da leitura de um livro ou um trecho, no que alude à compreensão e interpretação, é fruto da má visão e cuidado que se tem do ensino de texto nas escolas e é notável como um bom número de alunos não consegue fazer uma dissertação, mas carrega um leque de normas gramaticais.
Portanto, a todo que lida com ensino da língua portuguesa, a língua não pode ser resumida na capacidade de fazer com que os discentes dominem milhares de normas (que poucas vezes chegam de aplicar), mas que elas sejam aplicadas não só na oralidade, e sim tenham a capacidade de as identificar dentro de um texto e que esse último sirva como um instrumento que alastra o raciocínio do mundo dentro da língua aprendida.
POR: NSIMBA MIZIMU





