O Governo angolano tem investido fortemente nas famosas energias limpas, amigas do ambiente — como são conhecidos os parques fotovoltaicos. As centrais surgem um pouco pelo país, sendo que, só em Benguela, estão construídas duas, no Biópio e Baía-Farta, entretanto já interligadas no sistema nacional. Esses equipamentos energéticos, tidos como essenciais para o tão almejado desenvolvimento de Angola, foram concebidos para atender a mais de 200 mil famílias. O parque fotovoltaico do Biópio, um dos maiores do país, é responsável por abastecer 145 mil famílias.
Essa matriz energética veio, de certo modo, conferir como que uma lufada de ar fresco aos cofres do Estado, ao mesmo tempo que aumentou a capacidade de produção do país. Nos dias que correm, tal como sublinhou, recentemente, em Benguela, o ministro da Energia e Águas, engenheiro João Baptista Borges, o país produz acima da sua necessidade, sendo que, em função disso, o Estado projecta a exportação de parte dos mais de 6 mil megawatts. Este jornal sabe que a República Democrática do Congo está entre os países para onde se poderá exportar o produto.
Entretanto, as autoridades têm, de resto, admitido que a aposta passa, agora, pela distribuição, consolidada que está a componente produtiva, estando em curso, por isso, investimentos nas linhas de transporte para levar o produto ao cidadão, por ainda se verificarem muitas queixas no fornecimento.
A construção de centrais fotovoltaicas um pouco por todo o país tem estado a concorrer para a tão almejada transição energética. Em Benguela, província por onde começa e termina o corredor do Lobito, estão construídos dois parques de energia solar, sendo um no município da Baía-Farta e outro no do Biópio. Este último é apontado como um dos maiores de Angola, com 144,9 megawatts de capacidade de produção. Ambos os empreendimentos, em funcionamento desde 2022, foram inaugurados pelo Presidente da República, João Lourenço. “Essa potência é que nós entregamos à rede para o consumo da população”, revela o responsável do parque fotovoltaico do Biópio, Carlos Sebastião, em entrevista a este jornal.
Ele esclarece que tal não significa que essa produção fique somente para a província de Benguela. Tão logo é injectada na rede nacional, a energia produzida acaba por alimentar Angola toda. “O que se produz nas outras barragens e na central vai tudo para nacional”, frisou Sebastião.
Refere que os 144,9 megawatts de contribuição de Benguela ao sistema interligado permitem «alimentar» 145 mil famílias, ao salientar que esse investimento estatal reduziu significativamente os gastos com combustíveis. Em virtude disso, o Estado poupa mais de 7 milhões de litros de gasóleo por mês.
“E, também, temos uma contribuição significativa naquilo que é a atmosfera. Reduzimos a emissão de CO2 (dióxido de carbono) para a atmosfera aí na ordem de 700 toneladas por ano. Também é um ganho”, sinaliza.
Por; Constantino Eduardo, em Benguela





