Ainda circulam em muitos meios os vídeos dos acontecimentos ocorridos na província do Uíge, onde, no último fim-de-semana, se deslocara uma equipa do maior partido na oposição em actividade de trabalho. As informações que vão circulando, algumas provenientes de diversos quadrantes, políticos e policiais, acabam por ser díspares
O que se vê são imagens de militantes ou integrantes da UNITA correndo de um lado ao outro depois da intervenção da Polícia Nacional, que, segundo os seus responsáveis, visava afastar a realização do acto político nas imediações do secretariado desta organização política, que se diz estar situado a escassos metros de um órgão de soberania.
Alguns dos relatos indicam que, antes, havia sido sugerido um outro espaço, mas que parece ter sido refutado por conta das supostas condições do local, embora outras informações indiquem que se tratava de um local em que os militantes e responsáveis do partido do Galo Negro poderiam se reunir.
Entretanto, entre acusações e contra-acusações, o certo é que a imprudência de uns – e outros – poderá ter estado na base dos incidentes ocorridos, em que algumas pessoas acabaram feridas. Aliás, dias antes mesmo de ter havido os referidos acontecimentos, o ambiente já parecia demasiado tenso, com acusações entre militantes dos dois maiores partidos do país, com uns retirando bandeiras de outros, numa situação triste e que deve merecer a nossa reflexão.
A grande verdade é que, nos últimos dias, havia acontecido um encontro de cortesia entre o governador do Uíge e o líder do maior partido na oposição. Apesar da cortesia, são momentos em que se afinam as agulhas e se procuram retirar os obstáculos que possam transtornar qualquer acção num determinado território.
As escaramuças acabaram por criar várias interpretações. Hoje, cada um faz as suas avaliações, existindo até aqueles que vão realçando que esta situação chega para manchar tudo quanto vai sendo feito positivamente no país, sobretudo a construção de um estado de direito e democrático. Independentemente de qualquer análise que se faça, é imperioso que as autoridades construam caminhos de diálogo para o futuro, à semelhança do que houve, inicialmente, no Uíge.
Entre o Governo local e a liderança da UNITA. Acabam por ser extremamente perigosas as conjecturas que se vão construindo na sequência dos incidentes no Uíge. Dizer-se, por exemplo, que não se vai mais ‘apelar à serenidade’ da população é um discurso que deve merecer atenção, tendo em conta os cenários que se pretendem anunciar.
Os actos do Uíge, por conta de várias informações e de acusações quase recíprocas que foram anunciadas, merecem certamente um maior aprofundamento, por forma a se serenar os ânimos. Porém, usá-los como rastilho para outros actos de possíveis insubordinações ou escaramuças pode ser um tiro no pé, quando o futuro exige muito mais prudência e menos discursos musculados.





