O nome é mais do que identidade. É, além de história, pertencimento e direito de qualquer cidadão. Crianças em Angola crescem apenas com o sobrenome da mãe no Bilhete de Identidade, não por escolha, mas por ausência da entidade paterna. São filhos que nasceram, mas não foram reconhecidos, e outros, embora reconhecidos legalmente, não recebem os cuidados a que têm direito. Esta é também uma forma de fuga à paternidade e violência contra criança
Marcadas pela ausência paterna, as crianças na escola ouvem: “qual é o nome do teu pai?”
E aprendem, desde cedo, o peso do silêncio, da mágoa e de não ter por perto quem seria o seu herói. A falta de registo paterno não é só um campo em branco na cédula ou na vida da criança; representa herança emocional e exclusão de direitos: pensão de alimentos, herança, nacionalidade, cuidados médicos.
Nesta reportagem, o jornal OPAÍS apresenta casos de crianças tidas como “órfãs de pais vivos”, que vivem um dilema que passa despercebido à vista de todos, mas que representa um desafio para o Instituto Nacional da Criança (INAC).
Em torno do tema, estão as reais consequências e o impacto social da fuga à paternidade em Angola e de crianças sem o nome de um dos progenitores nos seus registros.








