Há quase 10 anos que o filantropo e empresário sudanês Mo Ibrahim decidiu, através da sua fundação, escrutinar em relatórios a actuação dos governos africanos, atribuindo um prémio, inclusive, aos estadistas que se destacassem mesmo depois de terem deixado o poder. A boa governação e o combate à corrupção têm sido dois requisitos contínuos.
Quando não foram preenchidos, algumas vezes, a fundação preferiu não atribuir o prémio, embora ao lado possa indicar os estados que se vão destacando em termos positivos e outros negativos. Angola foi, durante muitos anos, um dos países que mais constava dos relatórios de diversas organizações não-governamentais como um dos países mais corruptos do mundo.
Era quase que presença assídua, num momento particular da sua história política, económica e social, dos relatórios de instituições como a Global Witness, Transparency International e a Open Society, assim como de outros grupos de pressão muitas vezes representados a nível interno por organizações não-governamentais locais.
Além de chamuscarem a imagem do país, assim como daqueles que estavam no leme, os relatórios serviam também de ingredientes para a retracção do investimento estrangeiro no país. Empresas renomadas, incluindo multinacionais de topo, evitavam qualquer exposição negativa, associando-se a um país em que a transparência era vista, por muitos, como inexistente.
Num primeiro momento, poder-se-ia compreender que a guerra, persistente entre os anos de 1975 e 2002, apesar de alguns intervalos, tenha permitido que se chegasse a um ponto crítico em termos de corrupção. Todavia, depois do fim do conflito armado, havia necessidade de se alterar o paradigma, não sendo por acaso que o malogrado Presidente José Eduardo dos Santos tenha elegido a corrupção como o ‘segundo mal’ depois da própria guerra.
A verdade é que os últimos nove anos mudaram a percepção do que se passa em Angola em relação à boa governação e ao combate à corrupção, não obstante os problemas que ainda persistem quanto aos dois aspectos mencionados.
O resultado vem espelhado no facto de o país ter melhorado os seus indicadores no ranking da própria Transparência Internacional, conforme os resultados divulgados nos últimos anos. Agora, a nível do continente africano, a própria Fundação Mo Ibrahim realça, no seu mais recente relatório, publicado há dias, que Angola é um dos países que mais progrediu no continente africano em termos de boa governação e combate à corrupção. Trata-se de indicadores referentes aos últimos nove anos.
Embora satisfatórios, uma vez que se está em sentido inverso dos relatórios a que muitos estavam habituados no passado, há ainda um caminho a se fazer para que se depure muitas mentes, algumas das quais saudosistas das práticas de um passado penoso.








