A artista brasileira Samara Paiva participa hoje no Open Studio, às 18h00, no Anfiteatro do Instituto Guimarães Rosa, após quase um mês de residência artística em Angola, convidada pela Angola Air. Samara Paiva vai abrir o seu trabalho ao público para partilhar os resultados de uma investigação que se considera profundamente marcada pela experiência vivida em Luanda onde, a par de apresentar obras concluídas, vai revelar processos, descobertas e reflexões que nasceram do contacto directo com a cidade e com as mulheres que diariamente constroem a sua economia informal.
O Open Studio, segundo o documento enviado a este Jornal, irá incluir ainda uma conversa aberta moderada pela escritora e jornalista Ana Paula Lisboa, dedicada à experiência da residência artística, às referências da artista e às obras desenvolvidas durante estas quatro semanas em Angola.
Mensagens oculta nas obras Neste trabalho, a artista procura devolver humanidade a corpos historicamente represen tados através da violência ou da resistência. Nas suas pinturas, prelo que consta, o quotidiano transforma-se num espaço de delicadeza, silêncio e afecto, onde mulheres negras podem simplesmente existir, descansar, olhar-se ao espelho e reconhecer-se plenamente.
Desde a sua chegada a Luanda, Samara voltou o seu olhar ao papel das mulheres na vida urbana da cidade. Ao percorrer vários bairros e periferias de Luanda, mercados populares e diferentes musseques, encontrou na economia informal um universo onde milhares de mulheres sustentam famílias inteiras enquanto preservam práticas ancestrais de beleza, vestuário e identidade cultural, lê-se no documento enviado a OPAÍS.
“Ao viver Luanda, percebi que grande parte da força económica da cidade assenta sobre mulheres que trabalham diariamente no comércio informal. Apesar da dureza do trabalho, continuam a encontrar espaço para o autocuidado e para preservar formas de vestir e de existir herdadas das suas ancestrais. Essa força silenciosa tornou-se central na minha investigação durante esta residência”, disse a artista.
O documento refere ainda que, a investigação desenvolvida em Angola prolonga questões que atravessam toda a sua produção artística. “Mulheres negras foram historicamente educadas para serem fortalezas.
Nas minhas, pinturas procuro imaginar o contrário: o que acontece quando essas mulheres encontram tempo para descansar, para contemplar, para se rem vulneráveis e reconhecerem a própria beleza”, explicou. Nascida em Manaus, em 1995, e actualmente residente em São Paulo, Samara Paiva é uma promissora artista da nova pintura brasileira.
A sua prática desenvolve-se a partir da pintura figurativa, explorando temas como a intimidade, o espaço doméstico, a vulnerabilidade e a construção da subjetividade das pessoas negras. Trabalhando sobretudo com tinta a óleo, cria imagens onde a matéria pictórica dissolve os limites entre figura e abstração, fazendo da sombra, do baixo contraste e da noite territórios de liberdade e contemplação.








