Angola e Moçambique reforçaram, nesta Segunda-feira, 6, a cooperação bilateral no sector da saúde, com destaque para a formação de recursos humanos e o fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde.
A iniciativa decorreu em Luanda, durante uma missão técnica moçambicana realizada no âmbito do 1.º Workshop Nacional sobre Comunicação em Saúde.
A delegação de Moçambique, chefiada pelo director nacional adjunto da área de Formação do Ministério da Saúde, Naftal Matusse, deslocou-se a Angola para conhecer e partilhar a experiência angolana na formação de profissionais de saúde.
Os trabalhos foram conduzidos pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, acompanhada pelos secretários de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, e para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, bem como por responsáveis do Instituto de Especialização em Saúde, do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação e especialistas da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Saúde.
Na abertura dos trabalhos, a ministra defendeu que o sucesso das reformas depende da liderança nacional e da apropriação dos projectos pelas instituições angolanas.
Segundo explicou, Angola optou por privilegiar quadros nacionais na implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal da Saúde, reduzindo a dependência de consultores estrangeiros e reforçando a capacidade institucional do Ministério da Saúde.
Sílvia Lutucuta informou que o projecto prevê formar cerca de 38 mil profissionais de saúde até 2028, entre médicos, enfermeiros, técnicos e gestores. Destes, aproximadamente 19 mil já beneficiaram de acções de formação ou encontram-se em processo de especialização.
A governante destacou ainda que cerca de 80 por cento da formação decorre em Angola, com recurso a docentes nacionais e internacionais, permitindo reduzir custos e aumentar o número de profissionais capacitados. Apenas uma parte da formação é realizada em países parceiros, como Brasil, Portugal e Cuba, para complementar competências especializadas.
O modelo angolano aposta igualmente na descentralização da formação, através da criação de polos formativos e do reforço da capacitação nos municípios, abrangendo áreas como Medicina Geral e Familiar, Saúde Comunitária, Emergência Médica, Cuidados Intensivos, Dermatologia, Enfermagem Médico-Cirúrgica e Cirurgia Básica.
Durante o encontro, a ministra sublinhou também a necessidade de reforçar a formação de técnicos e enfermeiros em procedimentos cirúrgicos essenciais, com o objectivo de aumentar a cobertura dos blocos operatórios nos municípios e contribuir para a redução da mortalidade materna.
Por sua vez, Naftal Matusse manifestou interesse na experiência angolana, sobretudo nas áreas de Medicina Geral e Familiar e da formação de técnicos de cirurgia. Segundo afirmou, a missão visa compreender a organização do projecto angolano para apoiar a implementação de um programa semelhante em Moçambique, privilegiando igualmente a formação de especialistas dentro do território nacional.
A missão técnica incluiu visitas ao Instituto Nacional de Investigação em Saúde, à Central de Compras e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos, bem como a unidades hospitalares e outras instituições do Sistema Nacional de Saúde, permitindo aos especialistas moçambicanos conhecer de perto o funcionamento do modelo adoptado por Angola.
Segundo o Ministério da Saúde, esta cooperação constitui mais um passo no fortalecimento da parceria entre os dois países, apostando na valorização dos recursos humanos e na construção de sistemas de saúde mais resilientes e sustentáveis.








