O Cazenga é um dos municípios mais antigos da cidade de Luanda. Este local tornou-se famoso não apenas pelos seus mercados, mas também pelos elevados índices de criminalidade que registava, fruto da precariedade das vias de acesso, da escassez de água potável, da deficiente iluminação pública e de um conjunto de problemas que em nada dignificavam a vida de quem ali residia.
Os anos foram passando e, no entra e sai de administradores, quase nada mudava na vida da população. Em época chuvosa, muitas zonas tornavam-se praticamente inacessíveis. A situação melhorou apenas parcialmente nas principais artérias, com destaque para a Ngola Kiluange, a Rua dos Comandos, a 5.ª Avenida e a Avenida Hoji-Ya-Henda.
No interior dos bairros, porém, o cenário continuava desolador. Todavia, quando foi nomeado para as funções de administrador municipal um filho do Cazenga, cujo cordão umbilical ali está enterrado, surgiram diversas controvérsias no seio da comunidade.
A desconfiança resultava do facto de vir do Sambizanga, município onde o seu nome ficou associado à polémica criação da conhecida Turma do Apito, frequentemente acusada de actuar à margem dos marcos legais. Ainda assim, foi-lhe concedido um voto de confiança.
O jovem administrador, que também já havia sido primeiro-secretário da JMPLA em Luanda, conquistou algum entusiasmo quando anunciou a reabilitação de importantes vias do interior do município, entre elas as ruas das Condutas, Porto Santo, Terra Vermelha e a famigerada 7.ª Avenida.
Foi precisamente na 7.ª Avenida, nas imediações do Bar Matembo, próximo da residência dos seus pais, que o administrador procedeu ao lançamento da primeira pedra para a construção daquela importante via.
O projecto previa uma extensão de cerca de 4,3 quilómetros, incluindo iluminação pública e rede de esgotos, com um prazo de execução de sete meses. Contudo, a população teve de esperar aproximadamente quatro anos por avanços significativos, apesar de o administrador ter garantido, na altura, que podia faltar tudo, menos dinheiro.
Durante esse período, e já depois da sua exoneração, o projecto entrou praticamente em estado de paralisação. A comunidade começou então a manifestar o seu descontentamento e a censurá-lo pela promessa não cumprida. Porém, a pedra começa finalmente a sair do seu sapato.
Desde o início desta semana, os moradores já começam a sentir os efeitos da obra, o que deverá permitir-lhe respirar de alívio. Aquilo que durante anos pareceu apenas um sonho começa, finalmente, a ganhar forma e a aproximar-se da realidade.
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