Os familiares das seis jovens que foram abusadas sexualmente, supostamente pelo líder religioso da igreja Ministério Internacional dos Milagres Amor e Compaixão, localizada no município da Humpata, acusam o Serviço de Investigação Criminal (SIC), na província da Huíla, de querer abafar o caso, para que o acusado saia impune.
João Katombela, na Huíla
As acusações dos familiares surgem pelo facto de Nelson Fernando Sampaio, mais conhecido por Profeta Israel, de 54 anos de idade, que se encontra detido desde Janeiro do ano em curso, acusado, de acordo com o SIC, de ter cometido o crime de agressão sexual com penetração, nunca ter sido apresentado publicamente, como acontece com outros cidadãos envolvidos nas mesmas práticas.
Esta atitude do Serviço de Investigação Criminal na Huíla está a ser encarada pelos familiares que falaram à nossa reportagem como uma forma de abafar o caso, já que o acusado é supostamente influente na cidade do Lubango. A este facto, alguns pais das jovens incluem a morosidade que se tem registado no processo a nível dos órgãos que actuam na administração da justiça.
“Eu sou pai de duas meninas vítimas deste senhor. Eu gostaria de saber, daquilo que é o vosso trabalho de informação e divulgação de casos como estes, relativamente ao caso do suposto Profeta Israel, que está detido na cadeia da comarca do Lubango, porque quer o SIC, quer outros órgãos, conforme tem sido, nunca apresentaram o suposto que está detido?”, questionou o pai de duas das meninas.
Por outro lado, o nosso interlocutor disse que, para além da sua família, que teve a coragem de denunciar os actos praticados pelo líder religioso, pode haver outras vítimas que, por algum receio, mantêm-se caladas.
“Na semana em que apresentaram um outro pastor com as mesmas práticas, este Profeta Israel já se encontrava detido, mas até hoje o SIC nunca o apresenta. Isso é complicado. Que tipo de justiça temos neste país? Será que existem pessoas detidas que não podem ser apresentadas porque gozam de um certo estatuto? Eu gostaria que alguém viesse explicar-nos o que se passa”, disse.
Entretanto, a nossa equipa de reportagem aproveitou a ocasião em que o Serviço de Investigação Criminal esteve a apresentar publicamente outros cidadãos envolvidos em crimes sexuais, para questionar o seu porta-voz, inspector Segunda Quitumba, sobre as razões que fazem com que o Profeta Israel nunca tenha sido apresentado publicamente, como de costume em casos análogos.
Apesar de, na segunda entrevista aos órgãos de comunicação social na província da Huíla, Segunda Quitumba ter dito que a apresentação pública dependia do Ministério Público, desta vez respondeu que o Profeta Israel não está a ser apresentado pelo facto de se encontrar doente. Porém, tranquiliza os familiares, dizendo que não há qualquer tentativa de abafar o caso, assegurando que tudo está a ser feito para que o caso seja resolvido.
“A informação que nós temos a passar é que o cidadão em causa encontra-se adoentado, razão pela qual não tem sido possível a sua apresentação. É importante que se diga que, apesar de não ter sido feita uma apresentação oficial, este serviço fez uma entrevista na qual confirmou os factos para todos os órgãos de comunicação social. Queremos tranquilizar os familiares de que o cidadão continua detido. A instrução do processo está sob nossa responsabilidade, mas, como sabemos, o MP é o detentor da acção penal. Após a instrução do mesmo, o Ministério Público fará a acusação junto do Tribunal. Pedimos que haja paciência da parte dos familiares, porque não há definitivamente a ideia de que estaríamos a proteger o cidadão em causa”, assegurou.









