Em entrevista ao jornal OPAÍS, o deputado do MPLA João Mpilamossi Domingos assumiu ter havido excessos de linguagem no recente debate parlamentar, negou qualquer associação a discursos de ódio e de violência e enquadrou a sua intervenção no contexto do confronto político, ao evocar a sua própria vivência — marcada pela guerera e pela perda trágica da esposa — para reafirmar a defesa da paz, ao mesmo tempo que analisou o papel da Assembleia Nacional, respondeu às críticas da oposição e projectou os desafios económicos e políticos rumo às eleições de 2027
Senhor deputado, voltemos ao debate do dia 23 sobre o Projecto de Lei da Oposição Democrática. O que aconteceu exactamente na sua intervenção que gerou tanta tensão?
Bem, obrigado pela oportunidade que o Jornal OPAÍS nos/me dá para “justificar” determinados aspectos da minha abordagem neste dia. Na verdade, estavam em discussão três projectos propostos pela UNITA, e eu estava indicado pelo meu partido a debater o do direito à oposição democrática. O que ocorreu foi que, antes de mim, um deputado da UNITA falou da guerra, dizendo que o MPLA justifica todo o fracasso pela guerra, e também falou de militantes e dirigentes da UNITA que morrem nos hospitais. Isto veio na sequência da morte do deputado Monteiro Eliseu, de feliz memória, que muito me chocou. Nas redes sociais e nas intervenções de responsáveis da UNITA, apelava-se a uma suposta intenção do partido no poder de eliminar selectivamente quadros da UNITA.
E qual foi a sua resposta que “incendiou” o Plenário?
Depois de fazer a abordagem técnica do tema, aproveitei para demonstrar que não há necessidade de o MPLA eliminar selectivamente quadros da UNITA. Porque, se assim fosse, em 2002, depois da paz, o MPLA podia ter acabado com aquela versão da UNITA. E reconheço que o termo que usei — “exterminar” — não foi o mais adequado. O que quis dizer foi: se o MPLA quisesse acabar com a UNITA, tê-lo-ia feito em 2002, como acontece noutras geografias. Mas não o fez. Optou pela paz, pela consolidação da democracia, e criou o GURN — o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional.
Retratou-se do termo “exterminar”?
Sim, e quero sublinhar: não fui obrigado, nem pressionado. A minha consciência ditou naquele momento que o termo não era o mais adequado. Aliás, nem tinha visto a repercussão nas redes sociais quando pedi desculpas. Mas o que convinha para consumo político era mostrar que a minha intenção era apelar à vingança. Eu próprio tenho uma página motivacional na qual, todas as Sextas- feiras, coloco temas sobre amor, paz e justiça. E, no dia 23, caí num tema que eu mesmo já desenvolvi: o do ‘culpado por conveniência’.









