O Governo Provincial interditou, para um período de sete dias, praias dos municípios de Benguela e Navegantes, na sequência da presença de substâncias fecais nas águas do mar determinado por um estudo realizado pelo sector da Saúde. Autoridades temem por possível registo de surto de cólera. Saliente-se que, em 2025, Benguela tinha sido o epicentro da doença no país.
Constantino Eduardo, em Benguela
As fortes chuvas que se abateram sobre o município de Benguela empurraram para as praias de Benguela substâncias prejudiciais para a saúde, com destaque para as fecais, numa altura em que a província luta para se ver livre da cólera, que, no ano passado, chegou a ser epicentro da doença em Angola.
O Governo informa, em comunicado de imprensa, que as enchentes registadas na província, agravadas pelas recentes inundações, obrigaram as autoridades a reforçar as acções de vigilância sanitária. Neste contexto – conforme elucida – foram recolhidas e analisadas amostras de água do mar em vários pontos da faixa costeira, nomeadamente na praias dos Navegantes, Morena, na do Tchioxe até à foz do rio Cavaco.
No comunicado, as autoridades declaram que os testes realizados para detecção de coliformes fecais apresentaram resultados preliminares positivos, indicando, contudo, contaminação de origem fecal. “Esta situação representa um potencial risco para a saúde pública, podendo favorecer a transmissão de doenças de origem hídrica, como a cólera e outras”, suspeitam as autoridades sanitárias, salientando que esses testes são preliminares e de carácter qualificativo, admitindo, por isso, estar em curso a sua confirmação laboratorial pelo Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS).
Deste modo, “enquanto se aguardam os resultados, mantém-se activas as medidas de vigilância epidemiológica e ambiental (…)”. Por essa razão, o Governo suspende temporariamente, por um período de sete dias, banhos nas praias já referidas, sendo que, conforme se determina, a medida pode vir a ser prorrogada até que os resultados laboratoriais confirmem a ausência de contaminação e, por conseguinte, assegurem condições seguras para o uso das praias.









