Benguela será, nos próximos tempos, o centro de atenção de quase todos. É claro que, numa situação calamitosa como a que se observa, as culpas serão imputadas a quem está no leme do país, embora se perceba também que a força da natureza, muitas vezes, nem é cerceada por muito do que se possa fazer.
Em todo o caso, para os dias que se seguem, muitas serão as opiniões que veremos, sobretudo, nos órgãos de comunicação social. Aliás, circulam até estudos que muitos apontam como possíveis soluções para se evitar as mortes ocorridas e até mesmo os desaparecimentos forçados, como os que se parecem existir. Inevitavelmente, os políticos a esta hora não deixam de lado os seus créditos, principalmente num ambiente pré- eleitoral que se vive rumo às eleições de 2027.
A esta hora, pode-se crer que muitos vão procurar atribuir todas as culpas ao Executivo, que um conhecido parlamentar, nos últimos dois dias, vai já apedrejando, dizendo mesmo que tem condições para num ápice alterar consideravelmente o nível de vida das pessoas sinistradas.
Felizmente, são vários os cidadãos que se entregaram de corpo e alma a um movimento solidário cujos efeitos começaram a ser visíveis desde o primeiro momento. Há altura da vida em que, mais do que a política, deve estar subjacente a irmandade e união entre os angolanos. E esta é, evidentemente, uma das alturas em que se espera mais soluções do que críticas, algumas até infundadas.
Depois das tragédias de 2016 e as últimas deste ano, provocadas pelas correntezas do rio Cavaco, é indiscutível que um trabalho definitivo deve ser feito para que os benguelenses não estejam permanentemente de sobressaltos nestas épocas do ano. E os angolanos não voltem a testemunhar de forma cíclica as imagens horripilantes de cidadãos que perderam a vida, assim como de algumas dezenas de crianças hoje apontadas como desaparecidas.
A presença do Presidente da República, João Lourenço, que, certamente, estará acompanhado dos seus principais auxiliares, poderá servir de mote para se encontrar soluções para os principais problemas da cidade. O número de vítimas mortais e desalojadas exige a adopção de medidas urgentes para o alojamento, alimentação, vestuários e outras acções com vista a se conferir o mínimo de dignidade aos cidadãos, apesar do luto instalado por Benguela e arredores.
A reconstrução e recuperação das infra-estruturas é, por esta altura, um dos maiores desafios em curso. São milhares de residências inundadas e noutras até destruídas, cujos proprietários necessitarão, sem dúvidas, de uma mão do Executivo para voltarem a erguê-las, independentemente da área em que tenham sido construídas no passado. É expectável que se dê um outro tratamento aos populares que vivem nas proximidades do rio.
Apesar dos estragos já existentes, com vítimas mortais, infelizmente, o actual momento pode servir de mote para um período melhor nos próximos tempos em que se possa viver condignamente sem receios de que um dia a força das águas crie os dissabores como os que vamos todos lamentando.









