Quem esteve no Palácio dos Congressos quando os generais Armando da Cruz e Abreu Muengo ‘Kamorteiro’ se abraçaram lembrar- se-á a vida toda do momento. Igualmente, questionar-se-á sobre as razões que fizeram com que Angola tivesse passado por mais de três décadas de conflito e milhares de mortes em quase todo o seu território.
Naquele dia, perante os olhares do Presidente José Eduardo dos Santos, representantes do corpo diplomático acreditados em Angola, políticos e militares, ficou patente que, afinal, se tratava mesmo de um único povo irmão, dividido por ideias políticas, mas que comungava, seguramente, um único ideal para este imenso e rico país.
O Dia da Paz, que se assinala amanhã, Sábado, por sinal, um dia depois da Sexta-feira Santa, é uma data que nos leva a reflectir ainda mais sobre o percurso levado até ao fim do conflito, na sequência da morte de Jonas Savimbi nas matas do Lucusse, no Moxico, depois de ter liderado uma rebelião armada. Vinte e quatro anos depois, é comum fazer avaliações sobre o próprio tempo e as suas conquistas.
Sobre o que se fez para se apagar o período negro de guerra, que fez de Angola um dos países mais minados, subdesenvolvidos, destruídos, com fome e miséria. Duas décadas depois, há quem acredite ou venda a percepção pública de que se estaria num estágio melhor, independentemente do grau de destruição que exista. Um país quase ilhado, sem estradas, infra-estruturas públicas e a própria administração inexistente em muitos locais, alguns dos quais só anos depois puderam ver hasteada uma bandeira da república.
É indiscutível que, ao longo dos 26 anos, muito foi feito. De igual modo, também se acredita que mais poderia ter sido implementado em certos domínios, não se permitindo sequer a repetição de projectos que se pensavam que numa fase como esta ainda pudessem ser úteis. Se se tivesse ultrapassado, com qualidade, a ligação do país com estradas boas – e duráveis -, hoje os desafios seriam outros, muitos dos quais o actual executivo liderado pelo Presidente João Lourenço puxou da algibeira que visam o desenvolvimento sócio-económico.
A agricultura, a indústria e o turismo teriam somente seguido um rumo e ritmo traçado num cenário em que a energia eléctrica, o fornecimento de água e outros serviços estariam a complementar. Em todo o caso, o desenvolvimento de qualquer país continuará a ser um processo, independentemente do estágio de tempo em que se encontra. Apesar dos 50 anos da Independência, metade vivida num clima de guerra fratricida, não impede esperar muito mais em certos domínios.
Afinal, este país, que todos esperam desenvolvido, é o mesmo que conseguiu tornar muitos dos seus filhos ricos, enquanto uma maioria clama ainda por condições mínimas, como um tecto para se cobrir do frio, uma sala de aula, em vez de uma árvore e um posto de saúde para os cuidados mínimos.








