A primeira sessão de julgamento do caso em que são réus dois cidadãos russos e dois angolanos, acusados de actos preparatórios de terrorismo, teve início ontem, 24 de Março, no Palácio Dona Ana Joaquina, preenchido com questões prévias apresentadas maioritariamente pelos advogados de defesa. Altas figuras da política angolana foram requisitadas pelos causídicos para serem ouvidas como declarantes
Apesar de a sala estar completamente cheia, ao ponto de os dois AC’s de 12 BTU’s trabalharem muito esforçadamente e muitos dos familiares e amigos terem ficado do lado de fora por falta de lugar, a 3.ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal de Comarca de Luanda deu início ao julgamento do “Caso Terrorismo”. Em frente aos “homens de preto” (juiz presidente, juízes assistentes e Ministério Público), estavam quatro cidadãos com roupas castanhas-claras, três dos quais com uniforme dos Serviços Penitenciários.
Os cidadãos russos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, e os angolanos Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco “Buka Tanda” foram chamados para responder em juízo. O público ansiava pela leitura do despacho de pronúncia, não fos- sem os advogados terem apresentado uma série de questões prévias, a começar por Eliseu Nguinite, causídico dos principais elementos do caso (os russos). O advogado, numa primeira fase, disse que deu entrada na instrução contraditória e precisava requerer cinco questões prévias.
A dada altura, o número de questões prévias de Eliseu Nguinite passou as cinco e chegou a mais de dez. Por ser o momento oportuno, o juiz presidente, apesar de se ter mostrado indignado, permitiu que as questões prévias não previstas inicialmente fossem consignadas em acta. Do grosso de questões prévias apresentadas pelo referido advogado, chama a atenção o facto de ter requerido ao tribunal que sejam ouvidos, na condição de declarantes, os generais Higino Carneiro, Lukamba Gato e Dino Matrosse; e os engenheiros Adalberto Costa Júnior e António Venâncio.








