Mais de 146 mil adolescentes nacionais foram sensibilizados para os riscos do consumo precoce de álcool, no âmbito do projecto internacional SMASHED, implementado no país desde 2022.
Em declarações ao Jornal OPAÍS, a directora e coordenadora do projecto, Sílvia Fraga, explicou que a iniciativa é dirigida a estudantes dos 10 aos 17 anos e combina teatro com workshops interactivos, promovendo o debate e a reflexão sobre os perigos do consumo de bebidas alcoólicas.
O SMASHED foi criado em 2004, no Reino Unido, pela organização Collingwood Learning, num contexto de crescente preocupação com o consumo precoce de álcool entre adolescentes. Desde 2005, o programa passou a ser implementado em vários países com o apoio da empresa Diageo.
Segundo Sílvia Fraga, o programa já alcançou mais de oito milhões de jovens em todo o mundo. No país, desde a sua implementação, esteve presente em 313 escolas públicas e privadas da província de Luanda, atingindo 146.080 estudantes.
Só no ano de 2025, durante o primeiro e segundo períodos lectivos, o projecto envolveu 43.079 adolescentes.
Entre os principais resultados, destaca-se o aumento do conhecimento dos alunos sobre os riscos do consumo precoce de álcool, o desenvolvimento do pensamento crítico e a capacidade de tomada de decisões.
Outra componente do projecto é a formação de “Embaixadores SMASHED”, jovens que partilham os conhecimentos adquiridos com colegas e comunidades, ampliando o alcance da mensagem preventiva.
Desde 2022, cerca de 145 mil alunos de Luanda foram sensibilizados, com o envolvimento directo de 462 professores e o apoio de directores escolares.
O feedback recolhido nas instituições de ensino tem sido positivo, com estudantes e docentes a destacarem o carácter dinâmico e educativo das sessões.
A implementação do projecto conta com a parceria da Direcção de Educação do Governo Provincial de Luanda, que facilita o acesso às escolas.
Sobre a expansão para outras províncias, Sílvia Fraga explicou que depende da mobilização de recursos adicionais e da criação de novas parcerias estratégicas, públicas e privadas, incluindo instituições nacionais como a Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA).
A coordenadora alertou que o consumo precoce de álcool constitui um problema de saúde pública, podendo comprometer o desenvolvimento cerebral, provocar dependência futura e gerar dificuldades sociais e escolares.
Sílvia Fraga defende que apenas uma abordagem integrada, com políticas públicas eficazes, educação preventiva contínua, fiscalização e mobilização comunitária, poderá proteger os adolescentes e contribuir para a formação de uma juventude mais saudável, informada e responsável.








