Mais de 11 mil profissionais angolanos da saúde já beneficiam de iniciativas de formação no âmbito da cooperação entre Angola e Brasil, informou, nesta terça-feira, 10, a ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta.
A governante fez estas declarações durante a aula inaugural do ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola.
A sessão decorreu na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na cidade de São Paulo, e reuniu autoridades governamentais, representantes de instituições académicas e profissionais de saúde dos dois países.
Segundo a ministra, 11.648 profissionais angolanos já foram directamente abrangidos pelas iniciativas de formação promovidas no quadro da cooperação bilateral. Deste universo, 1.174 profissionais encontram-se actualmente em formação no exterior, sendo que 783 realizam os seus estudos no Brasil.
A governante acrescentou que este número deverá crescer ainda este ano, uma vez que mais de 800 novos profissionais angolanos têm processos de formação em preparação em instituições brasileiras.
O programa envolve 68 instituições de ensino e investigação do Brasil, distribuídas por 23 estados, que acolhem profissionais angolanos em diferentes modalidades de formação, incluindo estágios de curta, média e longa duração, especializações médicas e programas de fellowship.
Para o ano académico de 2026, as instituições brasileiras disponibilizaram 1.403 vagas de formação, das quais 771 já foram preenchidas por profissionais angolanos seleccionados para iniciar estudos no Brasil.
Durante a aula inaugural, Sílvia Lutucuta apresentou também um balanço dos avanços registados no sector da saúde angolano, com destaque para o reforço da formação e da capacidade de resposta do sistema nacional de saúde.
De acordo com a ministra, Angola realizou recentemente os três maiores concursos públicos da história do sector da saúde, o que permitiu aumentar em 43,6% a força de trabalho.
No domínio da formação médica, a governante informou que cerca de quatro mil médicos internos de especialidade encontram-se actualmente em formação em Angola, distribuídos por 39 programas de especialização. Apenas em 2025 foram certificados 399 novos especialistas, com destaque para a área de medicina geral e familiar.
Outro marco destacado foi o início da formação pós-graduada em enfermagem no sector público, estruturada em dez programas de especialização, iniciativa que deverá permitir a qualificação de 3.954 enfermeiros em áreas prioritárias, como saúde materna e neonatal, pediatria, emergência e trauma, cuidados intensivos e infectologia.
Segundo a ministra, estas iniciativas integram um programa nacional que prevê especializar 38 mil profissionais de saúde até 2028, sendo que 20% deverão realizar formação no exterior e 80% em Angola, estratégia que visa reforçar simultaneamente a capacidade interna do sistema nacional de saúde.
A ministra sublinhou ainda que a cooperação entre os dois países ganhou novo impulso após a visita do Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Angola, em 2023, e com o acordo de cooperação assinado em abril de 2024, que consolidou a parceria no domínio da formação de quadros e do intercâmbio científico.
Sílvia Lutucuta agradeceu igualmente o apoio institucional do Presidente da República, João Lourenço, destacando que a sua visão estratégica tem colocado o sector social, em particular a saúde, entre as prioridades nacionais.
Ao encerrar a sua intervenção, dirigiu uma mensagem aos profissionais angolanos em formação no Brasil, sublinhando o papel que deverão desempenhar no desenvolvimento do sistema de saúde do país.
“Precisamos de vocês. Estamos convosco para construir o futuro das próximas gerações”, concluiu.








