A presidente da Liga Angolana de Epilepsia (LAE), Josina Kitumba Sebastião, alertou para os elevados custos dos medicamentos da doença em Angola e para as dificuldades enfrentadas por pacientes no acesso a exames especializados. Pede que haja coparticipação do Estado nos custos
Em entrevista ao jornal OPAÍS, também por ocasião do mês de Março, tido como da conscientização sobre a doença, Josina Kitumba Sebastião explicou que a epilepsia é uma doença neurológica complexa, que, em alguns casos, não responde completamente à medicação disponível. Segundo Josina Kitumba, existem casos em que, mesmo com a medicação, o paciente continua a convulsionar.
A ciência tem procurado soluções alternativas, incluindo o uso de cães treinados para detectar sinais de crise e ajudar a proteger o doente”, explicou. Um dos grandes problemas por que passam as famílias angolanas tem que ver com o custo dos medicamentos para controlar as crises, que podem custar até 30 mil kwanzas, um frasco, por exemplo.
Tem-se dito que “a epilepsia é uma doença para ricos”, porque os fármacos antiepiléticos são extremamente caros. Entre os fármacos mais utilizados, estão o Fenobarbital, Zonegran, Carbamazepina, Depakine e o Levetiracetam (que está no topo de linha de fármacos). Josina Kitumba disse que o levetiracetam pode custar entre 29 mil e 30 mil kwanzas por caixa (60 comprimidos).
A maioria dos pacientes precisa de tomar a medicação duas vezes por dia, o que faz com que uma caixa dure apenas um mês. A responsável afirma que, por essa razão, muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter o tratamento.
No seu caso, que tem o filho com a doença, compra o Zonegran em Portugal, com algum desconto porque esta patologia é coparticipada pelo Estado português, a 39 euros. Sem a coparticipação esta caixa pode custar 78 euros.
“Eu já comprei uma caixa de comprimento do meu filho, numa farmácia no Belas, a quase 100 mil kwanzas. Então, é uma medicação muito cara. O Depakine está por aí entre 9 e 10 mil kwanzas o frasco, que a criança pode tomar dois a três/mês. Por isso, é importante que haja um apoio do Estado na compra destes medicamentos”, defende.








