Alguns médicos naturalistas de Luanda afirmaram, categoricamente, que a epilepsia tem cura, tendo apontado como segredo o seguimento de cada caso como único, para se ter um tratamento eficaz. A presidente da Liga Angolana de Epilepsia (LAE), Josina Kitumba Sebastião, alertou para a persistência de equívocos sobre a doença neurológica frequentemente confundida com perturbações mentais ou associada a crenças tradicionais
Licenciada em psicologia clínica e especialista em neuropsicologia e psicoterapia, a responsável explicou que a organização acompanha actualmente cerca de 100 pacientes, na maioria das vezes acompanhados por familiares, prestando apoio psicológico e orientação clínica. Segundo Josina Kitumba Sebastião, a falta de informação sobre a doença continua a ser um dos maiores obstáculos para o diagnóstico e tratamento adequados.
“A epilepsia é uma doença neurológica que pode causar alguns transtornos mentais quando as crises não são controladas. No entanto, muitas famílias ainda a confundem com doença mental”, afirmou. A especialista sublinhou que, ao registar-se uma crise convulsiva, o primeiro profissional a ser procurado deve ser um neurologista, no caso de adultos, ou um neuropediatra, quando se trata de crianças.
Contudo, a realidade em Angola mostra um percurso diferente. De acordo com a responsável, cerca de 90% dos pacientes acompanhados pela Liga passaram primeiro por tratamentos tradicionais antes de recorrerem à medicina científica. “Essa é uma realidade preocupante. A maioria das famílias procura primeiro o tratamento tradicional e só depois chega aos serviços de saúde especializados”, explicou.
Alertou ainda que nem todas as convulsões significam epilepsia, uma vez que existem diferentes causas para este tipo de manifestação clínica. Entre as possíveis origens da epilepsia estão factores genéticos, metabólicos, infecciosos ou de causa desconhecida, sendo necessário realizar exames específicos para confirmar o diagnóstico. “Há pessoas que têm convulsões provocadas por febre, infecções ou traumatismos cranianos.
Nesses casos não se trata necessariamente de epilepsia”, esclareceu. Segundo explicou, a epilepsia caracteriza-se por crises repetidas e espontâneas, que não estejam associadas a febre, queda ou outras causas identificáveis.
“Não é apenas epilepsia, mas epilepsias”
Actualmente, a Liga Internacional de Epilepsia considera que não existe apenas uma forma da doença. “Hoje já não falamos apenas de epilepsia, mas sim de epilepsias, porque existem vários tipos de crises e diferentes características clínicas que definem cada caso”, explicou. Essa diversidade também explica por que a ciência ainda enfrenta desafios no que diz respeito à cura definitiva da doença, embora existam tratamentos eficazes para o controlo das crises.
Epilepsia não se cura com medicamento tradicional “Então, eu não digo epilepsia cura-se com medicamento tradicional ou espiritual. A minha pergunta muitas vezes é: era mesmo epilepsia? A epilepsia é diagnosticada com vários exames.
Esses pacientes passaram por esses exames para confirmar que era epilepsia?”, questiona. Do ponto de vista clínico, a doença apresenta diferentes manifestações. As crises tónico-clónicas generalizadas são as mais conhecidas, caracterizadas por perda de consciência, rigidez corporal, tremores e, em alguns casos, perda de controlo dos esfíncteres.
Existem também as chamadas crises focais, que afectam apenas uma parte do cérebro e podem provocar movimentos involuntários em determinadas partes do corpo ou episódios de desmaio. Outro tipo são as crises de ausência, que se manifestam por breves momentos de perda de consciência, muitas vezes confundidos com simples distração.
Por: Alberto Bambi e Romão Brandão









